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25/05/2026 23h01
Eu quase te disse...
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Publicado por Monet Carmo em 25/05/2026 às 23h01
25/05/2026 22h16
O olhar de cansaço...
Tem um cansaço nesse olhar… mas não é um cansaço de sono.
É aquele cansaço de quem pensa o tempo inteiro. De qm observa tudo. De qm sente até o que ninguém falou.
Parece a pausa de alguém que ficou alguns minutos parada… mas a cabeça continuou andando quilômetros.
E eu acho bonito porque não tem pose. Não tem personagem. Não tem tentativa de parecer forte.
Só tem verdade.
A mão segurando o rosto como se estivesse tentando sustentar os pensamentos. O cabelo meio bagunçado. A luz entrando torta. O olhar longe…
como qm está ali… mas ao mesmo tempo em algum lugar muito distante dela mesma.
Tem gente que sorri pra esconder. Tu não. Teus olhos contam primeiro. Publicado por Monet Carmo em 25/05/2026 às 22h16
25/05/2026 07h10
Léo
existem homens que nasceram em desertos emocionais. aprendem cedo que sentir demais é perigoso. homens que atravessam países com a mesma expressão silenciosa de quem aprendeu a sobreviver sem pedir abrigo. e então… um dia… alguém chega falando com o coração aberto, como fazem os brasileiros. intensos. quentes. caóticos. afetivos. e isso assusta. porque existem homens que sabem negociar com o mundo… mas não sabem o que fazer quando alguém toca a alma deles sem violência. talvez tu sejas assim. um homem educado para controlar incêndios internos… enquanto eu venho de uma terra onde as pessoas transformam sentimento em linguagem. mas gosto de imaginar que em algum lugar dentro de ti ainda exista espaço para descansar a armadura. porque até os homens mais distantes carregam saudade de serem compreendidos. mesmo quando nunca dizem isso. Publicado por Monet Carmo em 25/05/2026 às 07h10
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. 15/05/2026 22h08
Aquele abraço...
Desde aquele abraço, alguma coisa mudou aqui dentro.
Talvez tenha sido a forma como ele me olhava tentando compreender minhas palavras rápidas demais… ou o jeito cuidadoso com que mexia no cabelo enquanto sorria. Talvez tenha sido o contraste entre um homem que já viu tantos países… e ainda assim carregava um jeito gentil quase raro de encontrar.
Desde então, ele ficou aqui.
Não de um jeito invasivo… mas como certas músicas que continuam tocando mesmo depois que acabam. Como cheiro em roupa limpa. Como lembrança boa em fim de tarde.
E talvez o mais bonito tenha sido justamente isso… ninguém prometeu nada. Ninguém cobrou nada. Ninguém tentou possuir nada.
Só duas pessoas cansadas do mundo… se encontrando no meio do caos… e percebendo que intimidade, às vezes, nasce rápido demais para quem passou anos aprendendo a se defender. Publicado por Monet Carmo em 15/05/2026 às 22h08
21/04/2026 19h48
28 dias de sua partida...
Mãe…
Hoje eu abri o teu guarda-roupa… e eu preciso te pedir perdão.
Perdão por não ter visto antes… perdão por não ter cuidado… perdão por ter deixado o tempo fazer isso… com as tuas coisas.
Quando eu abri… veio aquele cheiro… forte… úmido… pesado… e parecia que não era só mofo…
era o tempo dizendo que passou… mesmo quando eu ainda não tinha conseguido aceitar.
Eu fui tirando tuas roupas… uma por uma… e cada peça parecia ter tua presença ainda… teu jeito… tua rotina… teu cheiro… e, ao mesmo tempo… já não era mais.
E isso me quebrou, mãe…
Porque eu tentei, lá dentro de mim, te deixar intacta… como se nada fosse te tocar… como se o mundo não pudesse te alcançar depois que tu se foi.
Mas tocou.
A água caiu… o tempo passou… e eu não estava ali pra ver… pra impedir… pra cuidar.
E isso doeu de um jeito que eu não sei explicar.
Eu sentei no chão… com tuas coisas nas mãos… e chorei…
Chorei de culpa… chorei de saudade… chorei porque, por um instante, eu senti que falhei contigo.
Mas no meio disso tudo… eu fiquei.
Eu não fechei a porta. Eu não fingi que não vi.
Eu abri… eu enfrentei… eu cuidei do que ainda podia ser cuidado.
E talvez… seja isso que eu preciso te dizer também… Eu continuo aqui, mãe.
Mesmo quebrada… mesmo atrasada… mesmo cheia de culpa…
eu continuo tentando cuidar… do que ainda é teu… do que ainda é nosso… do que ainda vive em mim.
Me perdoa… se em algum momento eu não fui o suficiente… se eu não vi… se eu não consegui.
Mas hoje… no meio daquele cheiro ruim… daquela dor toda… eu entendi o quanto eu te amo.
E o quanto ainda dói… não poder mais cuidar de ti… do jeito que eu queria.
Eu te amo… e estou tentando, mãe… de verdade… estou tentando. Publicado por Monet Carmo em 21/04/2026 às 19h48
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