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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Meu Diário
09/08/2026 19h52
Essa sou eu...

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Publicado por Monet Carmo em 09/08/2026 às 19h52
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
 
03/08/2026 23h12
Mapa do destino dos relacionamentos.

Você não precisa de uma pessoa que apenas desperte desejo. Precisa de alguém capaz de sustentar presença.

 

Seu parceiro mais compatível será emocionalmente adulto, objetivo, afetuoso e estável. Não necessariamente alguém expansivo ou excessivamente romântico, mas uma pessoa que demonstre interesse por meio de atitudes repetidas.

 

Essa pessoa precisa:

Ser emocional e geograficamente disponível.

Conversar com palavras, não apenas com reações, emojis ou sinais ambíguos.

 

Respeitar sua inteligência sem competir com ela.

 

Ter vida própria, responsabilidade financeira e capacidade de decidir.

Entender que seu trabalho é parte importante da sua identidade.

 

Ser firme o suficiente para não ser engolido pela sua intensidade, mas sensível o suficiente para não tratá-la com frieza.

 

Você tende a se interessar pelo que ainda precisa ser decifrado. O mistério ativa sua inteligência e sua imaginação. No amor, entretanto, esse mecanismo pode prendê-la em pessoas que fornecem química, curiosidade e fantasia, mas não oferecem construção.

 

Sua principal lição amorosa é: 

Não transformar ausência em profundidade, desejo em compatibilidade ou potencial em compromisso.

 

Um relacionamento para a vida não será reconhecido pela explosão dos primeiros dias. Será reconhecido pela coerência dos primeiros meses.

 

A pessoa certa não a deixará permanentemente tentando interpretar o que ela quer. Haverá perguntas, convites, continuidade, disponibilidade e posicionamento.

 

O relacionamento adequado para você deve funcionar como base de estabilidade, não como mais um projeto que precisa ser gerenciado.

 

Neste momento, também é importante não procurar um amor como resposta para o desemprego, o luto ou a insegurança. Você pode desejar companhia sem transformar essa companhia em solução para todas as ausências.

 

Seu critério mínimo deveria ser simples:

Só continuo investindo quando existe clareza, reciprocidade, presença e progressão real.

 

Emojis não substituem diálogo. Atração não substitui decisão. Contato virtual prolongado não substitui convivência.


Publicado por Monet Carmo em 03/08/2026 às 23h12
 
03/08/2026 00h02
Gente qua passa

Depois dos 45, eu já não consigo fingir que não percebo quando alguém chega apenas para passar.

 

Percebo no jeito de conversar. Na curiosidade que não aprofunda. No interesse que se acende rápido demais e some quando a conversa exige presença, constância ou alguma responsabilidade afetiva. Percebo quando a pessoa quer me experimentar, mas não quer me conhecer.

 

E ainda assim, vez ou outra, eu me encanto.

 

Não sou essa mulher endurecida que alguns imaginam. Eu ainda admiro, ainda sinto desejo, ainda reconheço uma energia diferente quando ela aparece. Às vezes encontro alguém e penso que há ali alguma coisa parecida comigo. Um jeito de enxergar a vida, uma inquietação, um silêncio que parece dizer mais do que as palavras.

 

Então eu me permito acreditar um pouco.

 

Não muito. Só o suficiente para me colocar em risco.

 

O problema é que quase sempre essas pessoas passam. Não chegam para ficar. Chegam para sentir alguma coisa, provar alguma coisa, confirmar alguma coisa sobre elas mesmas. Depois seguem, como se eu fosse uma parada interessante no caminho e não uma mulher inteira, com história, profissão, projetos, afetos, fracassos, coragem e tudo o que precisei construir para chegar até aqui.

 

Às vezes me pergunto se essas pessoas têm curiosidade sobre quem eu sou de verdade.

 

Não sobre a mulher que aparece numa fotografia, conversa bem, provoca, ri e desperta desejo. Falo da mulher que trabalhou, viajou, cuidou, escreveu, ajudou, perdeu, recomeçou. Da mulher que já contribuiu com a vida de muita gente, mesmo quando quase ninguém percebeu. Da mulher que tem pensamento, experiência, ambição, medo e uma vontade enorme de ainda construir algo que permaneça depois dela.

 

Poucos perguntam.

 

Talvez porque conhecer alguém de verdade dê trabalho. Exige tempo. Exige escuta. Exige aceitar que o outro não existe apenas para nos distrair, nos validar ou preencher uma solidão de domingo.

 

Eu continuo querendo acreditar em relacionamentos, embora uma parte de mim já tenha aprendido a desconfiar deles.

 

Eu me apaixono e, ao mesmo tempo, observo a saída.

 

Eu admiro e já me pergunto quanto tempo aquilo vai durar.

 

Eu reconheço o vínculo, mas não ignoro a ausência.

 

É uma forma estranha de sentir. Uma parte minha ainda se abre. A outra já recolhe os objetos frágeis da sala.

 

Não porque eu tenha perdido a capacidade de amar. Talvez seja justamente o contrário. Eu sei o peso que o amor tem. Sei o que ele pode construir e também o estrago que faz quando alguém o trata como passatempo.

 

Depois dos 45, eu não quero ser entretenimento emocional de ninguém.

 

Não quero ser a mulher interessante que alguém procura quando está entediado, carente ou curioso. Não quero relações sustentadas apenas por atração, mensagens espaçadas, emojis e promessas que nunca chegam ao mundo real.

 

Quero alguém que tenha vontade de saber quem eu sou quando não estou bonita, forte, produtiva ou disponível. Alguém que pergunte pelo meu trabalho, pelos meus livros, pelo que eu penso, pelo que me cansa, pelo que ainda me move.

 

Não preciso que alguém me salve. Nunca precisei.

 

Mas seria bonito encontrar quem não estivesse apenas de passagem.

 

Alguém que não viesse para experimentar a minha intensidade e depois fugir dela. Alguém que entendesse que uma mulher madura não traz apenas desejo. Traz história. Traz cicatriz. Traz profundidade. Traz uma vida inteira que não cabe numa conversa superficial.

 

Eu ainda acredito.

 

Só não acredito mais em qualquer coisa.

 

Talvez esse seja o aprendizado mais honesto dessa fase: não deixar de sentir, mas parar de chamar de vínculo aquilo que só aparece quando é conveniente.

 

Há gente que chega e fica.

 

Há gente que chega e ensina.

 

E há gente que apenas passa.

 

O difícil não é aceitar que algumas pessoas vão embora.

 

É aceitar que, muitas vezes, elas nunca chegaram de verdade.


Publicado por Monet Carmo em 03/08/2026 às 00h02
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02/08/2026 23h13
A pele...

Essas fotos não são só sobre pele. São sobre o momento em que eu percebi que, no meio de tanta coisa, eu também tinha me perdido de mim.

 

Quando você está lutando para voltar ao mercado, tentando mostrar competências que as pessoas nem imaginam que você tem, tudo pesa mais. Você percebe que muitos amigos não sabem exatamente o que você faz, o que estudou, o que construiu, os lugares por onde passou, os projetos que entregou. Não sabem que você escreveu um livro, que tem ideias, que tem outros dons além daquela parte de você que conheceram.

 

E, muitas vezes, nem perguntam.

 

A família conhece a filha, a irmã, a tia. Os amigos conhecem a companhia, a conversa, a pessoa que escuta e ajuda. Mas quase ninguém conhece a profissional inteira. Quase ninguém sabe o quanto você luta, quantas vezes começa de novo ou o medo que sente quando uma oportunidade não vem.

 

Isso não me faz melhor nem pior do que ninguém. Só me fez entender que, por muito tempo, eu tive mais interesse em conhecer profundamente as pessoas do que algumas delas tiveram em me conhecer.

 

Quando a gente perde justamente a nossa maior referência, aquela pessoa que acreditava nos nossos sonhos, nas nossas escolhas e até nas nossas maluquices, alguma coisa dentro da gente também perde direção.

 

O trabalho termina. A oportunidade vai embora. O dinheiro aperta. A criatividade diminui. A vontade de aparecer some. Uma coisa vai puxando a outra, como dominó.

 

A gente chora, sente raiva, se cala e, ainda assim, sorri nas fotos. Porque um sorriso consegue esconder muita coisa. Até o dia em que você olha no espelho e percebe que já não está conseguindo enxergar a mulher que existia ali.

 

Foi nesse ponto que eu entendi que precisava voltar a cuidar de mim.

 

Não para parecer mais jovem. Não para agradar ninguém. Não porque uma pele bonita resolva o luto, a vida profissional ou a escassez de oportunidades. Mas porque é muito difícil ocupar um espaço no mundo quando você já não consegue ocupar nem o próprio corpo com presença.

 

A nossa imagem fala antes de nós. Ela interfere na postura, na segurança, numa entrevista, numa reunião e na coragem de aparecer. Não substitui competência, mas o abandono também pesa. E eu estava me abandonando sem perceber.

 

Por isso, meu agradecimento à Dra. Thaís e à Dra. Cirlei vai muito além de um cuidado estético. Elas souberam encontrar o equilíbrio que eu precisava. Não tentaram me transformar em outra mulher. Ajudaram a retirar um pouco do cansaço que já estava falando por mim.

 

Ainda estou reconstruindo muita coisa. Minha vida, meu trabalho, minha confiança, meus projetos e a forma como me vejo.

 

Cuidar da minha pele não apaga o que perdi.

 

Só me lembrou que eu ainda estou aqui.


Publicado por Monet Carmo em 02/08/2026 às 23h13
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