![]() 19/03/2025 19h37
Resguardar o coração.
Eis que chego ao tempo em que resguardo meu coração como se guarda um jardim secreto, onde apenas os dignos encontram passagem. Pois já vi, demasiadas vezes, minhas dádivas serem colhidas por mãos ingratas, meus afetos serem sorvidos sem retorno, como fonte que jorra para os sedentos sem jamais receber uma gota de orvalho em retribuição.
Agora, ergo cercas não por despeito, mas por zelo. Meu peito ainda pulsa em versos de amor e ternura, mas já não clama por olhares que não sabem ler-lhe a beleza. Creio ainda no encanto dos encontros sinceros, nas almas que se entrelaçam sem artifícios, mas deixei de espalhar pérolas ao vento, esperando que a fortuna as recolha. Este é o tempo da escolha consciente, da entrega plena apenas àqueles que fazem jus ao que ofereço. Pois se o amor é luz, que brilhe apenas onde há olhos para enxergá-lo, onde há corações que saibam refletir seu fulgor.
Publicado por Monet Carmo em 19/03/2025 às 19h37
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. 12/03/2025 06h22
46 verões com algumas primaveras
Hoje celebro cada um deles, cada estação que moldou quem sou. Já fui mar revolto e também águas tranquilas. Já fui pedra firme e também vento leve. Hoje, olho para trás com orgulho e para frente com esperança.
A vida me trouxe desafios que lapidaram minha essência e me fizeram mais forte, mas também me presenteou com momentos de pura luz—como este, em que me vejo e me sinto exatamente onde deveria estar.
Sou fruto de tudo que vivi, de cada riso e de cada lágrima. E se a vida fosse uma safra, diria que a de 1979 envelheceu bem—com coragem, intensidade e verdade.
Brindo a mim, ao que fui, ao que sou e ao que ainda serei. Sempre buscando seguir, sem jamais estagnar, sem nunca me acomodar. Evoluir com conhecimento diverso, entender o incômodo para compreender por que dói, dialogar com todos, acreditar que todo caos é um sinal de que algo precisa mudar.
E já foram tantas mudanças… e que venham tantas mais! Publicado por Monet Carmo em 12/03/2025 às 06h22
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. 08/03/2025 12h43
Você sempre vêm. Mas nunca quis mergulhar...
Sabe, você vem, me beija, me satisfaz, me faz gozar gostoso. Mas nunca pergunta o que significam minhas tatuagens. Nunca se interessa pelo escritor com quem mais me identifico, pelo quadro na parede do meu quarto, ou pelo motivo que me fez trilhar o caminho da filosofia. Você nunca quis saber por que ainda estou sozinha, quem foram os homens que amei e qual deles foi o mais incrível. Nunca quis entender por que gosto de Monet, Bukowski e Nietzsche – perfis tão distintos – ou por que escolhi Monet para assinar meus textos. Você nunca perguntou sobre os remédios na gaveta da minha escrivaninha. Não, meu bem, você não adentrou minha alma. Você apenas alivia a carência do meu corpo, mas não acolhe a do meu íntimo. E eu ainda gosto de romantismo. Ele não é ultrapassado, pelo menos para mim. Talvez, para você, amar seja apenas compartilhar viagens, um vinho depois do jantar, um sexo gostoso. Mas isso não é romantismo. Isso é companhia. E companhia sem profundidade me soa vazia. Eu entendo. Cada um ama à sua maneira. Mas o meu amor pede profundidade. E você nunca quis mergulhar.
Publicado por Monet Carmo em 08/03/2025 às 12h43
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. 08/03/2025 11h39
Seu esforço vale a pena...
O mundo raramente vê os bastidores das conquistas — as renúncias, as incertezas, as quedas e a coragem de levantar. E, muitas vezes, é solitário. Mas é exatamente nessa solidão que mora a força real: a capacidade de seguir em frente sem precisar de aplausos ou reconhecimento imediato.
O verdadeiro mérito não está apenas no destino alcançado, mas no caminho percorrido. Cada escolha difícil, cada momento de persistência em meio ao cansaço, cada vez que você se recusou a desistir — isso é o que constrói não apenas um profissional de excelência, mas um ser humano resiliente e íntegro.
Continue avançando. Seu esforço vale a pena, e no final, será sua própria convicção que sustentará cada vitória. Publicado por Monet Carmo em 08/03/2025 às 11h39
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. 18/02/2025 20h39
A Panelinha do Facilities-HGP
O tempo tem uma forma cruel de revelar verdades. Mesmo à distância, as vozes que ainda ecoam daquele lugar me trazem relatos que, embora não surpreendam, confirmam o que já era perceptível: o ambiente ali não era apenas insalubre em sua estrutura, mas no mais profundo de suas relações humanas. Um espaço onde a hierarquia não significa liderança, onde a autoridade não representa respeito e onde a transparência é tratada como ameaça.
A ausência, ao contrário do que muitos pensam, não silencia a verdade – ela a amplifica. A minha saída foi como abrir uma janela em um cômodo fechado há anos: o ar viciado se espalhou e, com ele, o cheiro da realidade que se tentava esconder. E, então, surgiram os sussurros e as constatações que antes eram abafadas pela conveniência. O que antes era a "área de instalações que a Simone gerenciava" passou a ser rotulado de “panelinha da Simone”. Uma tentativa pobre e desesperada de descredibilizar o que foi construído com esforço, profissionalismo e propósito.
Mas a questão central nunca foi o nome que deram ao que fizemos. O que incomodava era o simples fato de que, naquele ambiente de mesquinhez e vaidade, eu escolhi algo que eles não compreendiam: desenvolver pessoas. Transformar um setor em algo vivo, pulsante, capaz de caminhar por si só. Enquanto uns cultivavam a bajulação como estratégia de sobrevivência, eu incentivava competência como base de crescimento. E foi isso que aterrorizou quem se veste de autoridade, mas não tem a coragem de ser líder.
O tal "diretor-geral" — um título grande demais para quem se esconde atrás da própria sombra — jamais desceu ao chão de fábrica. Tinha medo do olho no olho, medo do diálogo real, medo de lidar com aqueles que, com muito menos poder, tinham muito mais dignidade. Preferiu os holofotes das redes sociais, os elogios rasos de figuras influentes, as conversas em corredores de quem não carrega o peso do trabalho, mas a leveza da conveniência.
E eu? Durante dez meses, vivi a experiência mais intensa da minha trajetória. Foi um curso acelerado sobre os bastidores do que há de mais sujo na gestão: a vaidade travestida de competência, a omissão disfarçada de estratégia, a falta de caráter camuflada por discursos bem ensaiados. Mas a vida, com sua precisão implacável, colocou diante de mim um caminho melhor antes que eu tivesse que pagar qualquer preço pela minha liberdade. Hoje, ao olhar para trás, não há arrependimento. Apenas a certeza de que jamais darei um passo atrás por quem não merece. A vida me ensinou a não confundir cargo com liderança, influência com respeito, proximidade com admiração.
E, acima de tudo, me ensinou que existem lugares onde minha presença não é necessária – porque minha ausência já diz tudo. Publicado por Monet Carmo em 18/02/2025 às 20h39
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
|