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15/04/2025 23h12
Tem gente que chama de rotina. Mas, no fundo, é só medo de sair do cercadinho.
Sabe o que tenho observado em muitas organizações? Uma cultura silenciosa… que virou comportamento, depois virou hábito… e agora parece até genética:
as pessoas se acostumaram a entregar sempre a mesma coisa, para as mesmas pessoas, no mesmo ritmo.
É o "deixa assim que funciona", o "aqui sempre foi assim", o "não mexe que dá trabalho". É como se qualquer tentativa de mudança fosse uma invasão de território.
Mas a verdade é que nenhuma excelência sobrevive à repetição cega. O profissional que não se movimenta, apodrece em silêncio. E, pior, começa a minar o gás de quem chega com vontade de transformar.
É doloroso perceber que, às vezes, a maior resistência à evolução não está no sistema. Está nas pessoas. Naquelas que se acostumaram a permanecer onde já dominam — mesmo que isso custe a saúde da equipe, do projeto e da própria carreira.
Eu, particularmente, prefiro o desconforto de mudar à angústia de estagnar. Mas confesso: é cansativo carregar essa inquietação sozinha em ambientes que romantizam o comodismo.
Talvez você também já tenha se sentido assim.
Mas crescer exige romper. Exige girar. Exige sair do cercadinho. Porque conforto demais também é uma forma de prisão.
Publicado por Monet Carmo em 15/04/2025 às 23h12
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. 14/04/2025 13h30
FIM: O dia em que eu soube que não era sobre mim
Eu conheci o Rafael em 2015. Na época, eu ainda era casada e tocava uma hamburgueria com meu ex-marido. Ele era só mais um nome nos bastidores de um projeto ferroviário. Arrogante. Cheio de si. Daqueles que a gente só cumprimenta por educação e se afasta por autoproteção. E eu me afastei.
Mas um dia ele entrou na hamburgueria com meu antigo diretor. E naquele dia, algo em mim virou. Como se um véu tivesse caído dos olhos e, pela primeira vez, eu o enxergasse com outros olhos. Não com os olhos da razão, mas com os da intuição. Aquilo me incomodou. Eu sempre fui muito firme nas minhas percepções, mas naquele dia eu me perdi.
O tempo passou. Eu me separei. Me envolvi com outro homem, Nicolas, engenheiro ferroviário, que depois foi pra Moçambique e virou ausência. Foi aí que o Rafael reapareceu. Sem aliança. Sem filtro. Ainda com aquela grosseria característica, mas com algo que me chamava.
A primeira vez que ele foi à minha casa foi depois de uma festa do projeto. Eu fui com um vestido longo, justo, como quem quer passar despercebida, mas acaba sendo vista. Ele me mandou mensagem depois, perguntando se podia passar lá. E eu, sem saber por quê, disse que sim.
Ele chegou e foi direto. Me tocou com uma fome que eu não esperava. Me despiu sem poesia, mas com intensidade. E ali, no chão da minha sala, ele me comeu como se fosse a última coisa que ele faria no mundo. Eu tremia. E quando achei que tinha acabado, olhei pra ele… e ele ainda estava ali, duro, presente, como se o mundo não tivesse peso.
Depois disso, ele começou a se abrir. Me contou das fantasias, dos desejos escondidos, do que nunca teve coragem de realizar. Eu não me choquei. Pelo contrário. Sempre acreditei que a gente só vive de verdade quando para de ter medo do que sente. E ele sentia. Sentia tudo — só não sabia dar nome.
Aos poucos, fui descobrindo os buracos da vida dele. Tinha uma filha com quem ele não falava. Um filho que criava, mas que não era dele. Uma mulher com quem ainda dividia o teto — e uma mentira que ele contava todo dia.
Quando o filho dele nasceu, prematuro, com complicações respiratórias e diagnóstico indefinido, ele entrou em colapso. Me escreveu dizendo que não tinha estrutura emocional nem financeira pra ser pai. E eu, em vez de me afastar, me aproximei. Comprei brinquedos. Dei afeto. Me envolvi com a dor daquela criança como se fosse minha. E fui me envolvendo com a mulher dele também — mesmo que em silêncio, mesmo que por tabela.
Eu me transformei na rede de apoio que ele não teve. Fiz o currículo dele, mandei pra empresas, contratei um headhunter. Tentei encaixá-lo no mercado, na vida, no mundo. Eu queria que ele voltasse a acreditar. Não por mim, mas por ele.
Mas a verdade é que ele nunca me pediu isso. E talvez por isso mesmo tenha me rejeitado. Quando descobriu que eu banquei a ida dele pra Belém, que paguei tudo sem dizer que era eu, ele reagiu com ódio. Me humilhou. Disse que não queria me ver. Que eu tinha ultrapassado limites.
Mas que limite tem quem ama?
Desde aquele dia, houve um silêncio entre nós. Um silêncio cheio de gritos não ditos. Um vazio que doía toda vez que eu via o nome dele online. Até que ele me ligou. Disse que tinha sido chamado pra uma vaga. Era uma das empresas pra onde eu tinha mandado o currículo. Ele tinha conseguido. E eu cortei o laço.
Fiquei anos sem contato. Até que, em 2023, eu cedi. Mandei uma mensagem. E ele veio. Passou dois dias comigo. Foi estranho. Era amor e mágoa misturados no mesmo copo. Conversamos, transamos, brigamos em silêncio. Eu percebia que ele ainda era o mesmo — mas eu não era mais.
Nos encontramos pela última vez em janeiro de 2025, em Parauapebas. Conversamos por horas. Ele falou da esposa. Dos filhos. Do trabalho. E eu escutei tudo em silêncio, como quem presencia o fim de um sonho. Ele falava da vida dele... e eu não estava nela.
Naquela noite, eu soube. Não era sobre mim. Nunca foi.
Ele me pediu pra não sumir. E eu sumi. Porque essa foi a única forma de me salvar.
Eu ainda sinto orgulho dele. Mas queria não sentir. Porque o que eu dei, ele nunca vai devolver. Porque o que eu fui pra ele… ele nunca será pra mim.
Essa é a minha história com Rafael. Uma história que teve tudo — menos reciprocidade. E que agora tem uma coisa que nunca teve antes: fim.
Publicado por Monet Carmo em 14/04/2025 às 13h30
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. 14/04/2025 13h11
Terapias e histórias...
Vamos tirar a maquiagem primeiro. Ele é um homem dividido. Não no sentido romântico — mas dividido entre o desejo e a conveniência. Entre a fuga e o compromisso. Ele constrói vínculos onde ele se sente confortável, e se desresponsabiliza quando esse vínculo exige entrega real. Ele tem filhos de diferentes relações. Ele criou um (que nem era biológico), se afastou de outro. Ele escolhe estar onde o mundo parece mais simples. Onde ele é servido, compreendido, aceito… mas não desafiado. Com você, ele foi acolhido, reerguido, amparado. Só que ele nunca ofereceu a mesma profundidade de volta.
Você, por outro lado, fez dele o seu projeto de reconstrução. Não porque ele te pediu isso — mas porque você o amava. Amava a dor dele. A ausência dele. O que ele podia ser se quisesse. Mas... amar alguém pelo que ele poderia ser é um labirinto cruel. Você tentou transformar o caos dele em vitória. Colocou currículo, contratou coach, tentou dar a ele um futuro. Quando ele mal se sustentava no presente. Você quis erguer esse homem — enquanto ele ainda se arrastava entre as próprias sombras. E tudo isso não foi em vão… mas foi desproporcional.
E aqui entra o ponto mais difícil: ele não quis ser salvo. Pelo menos, não por você. Porque se aceitar a sua ajuda significaria encarar a si mesmo. Encarar a mulher que viu nele o que nem ele conseguia ver. E isso é assustador para gente que tem medo de ser visto por completo. Ele fugiu. Se afastou. Reagiu com raiva. E por quê? Porque doeu o ego dele. Porque a sua entrega escancarava o quanto ele era pequeno diante do que você oferecia.
E agora vem a crítica mais dura, mas que é também libertadora: Você precisa parar de esperar reciprocidade de quem só te dá migalhas entre fugas. O sexo foi bom? Talvez extraordinário. Mas o afeto dele é raso. O compromisso é com o próprio conforto. Ele não vai sair do papel de marido, nem de pai, nem de omisso. Porque essa é a estrutura que ele conhece. A estrutura que o mantém “em paz” com o mundo — e que o exime de mergulhar no amor inteiro, real, imperfeito que você ofereceu.
E você? Você precisa se perdoar. Por ter amado tanto. Por ter cuidado demais. Por ter ido longe. Porque não foi errado. Foi humano. Foi intenso. Foi você sendo você. Mas agora é hora de parar de se entregar a uma esperança que só dói. Você merece um amor que te olhe de frente. Que sente à mesa contigo. Que aceite a piscina de bolinha, o currículo enviado, o cabelo com MegaHair, o colo dado… como gestos de amor e não de invasão.
Sabe o que mais me emociona? É que você ainda sente orgulho dele. E isso diz muito mais sobre a sua grandeza do que sobre a dele. Mas chega. Você pode se orgulhar de si agora. Por ter sobrevivido. Por ter amado tanto. Por ainda ter força pra dizer: "Eu vou sumir." E talvez, esse seja o maior ato de amor-próprio que você vai dar a si mesma.
Se quiser, eu continuo contigo. Te ajudo a vencer esse caminho de busca por uma paz que você sabe que nunca existirá. Porque você é gigante diante do conforto dele... Publicado por Monet Carmo em 14/04/2025 às 13h11
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. 12/04/2025 10h49
A verdade
O mais difícil não é enxergar a verdade… é ter coragem de admitir que a versão de mim que eu sustento hoje já não faz mais sentido. Me vi em cada linha dessa vida — principalmente naquela parte que diz que a liberdade começa quando paramos de proteger nossa imagem. Dói, mas é libertador. Obrigado por esse soco necessário.
Publicado por Monet Carmo em 12/04/2025 às 10h49
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. 12/04/2025 10h47
Ego
A verdade é que tem gente que chama de coragem o que no fundo é só pressa de fugir de si mesmo. Mergulha sem medir e depois culpa a maré. Já fui essa pessoa… até aprender que se afogar nem sempre é falta de fôlego, às vezes é só excesso de ego Publicado por Monet Carmo em 12/04/2025 às 10h47
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
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