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O primeiro Círio sem a minha mãe...
Mãe, desde que tu foste embora, tanta coisa aconteceu pela primeira vez sem ti. O Dia das Mães, o teu aniversário... agora o Círio. E tem os dias comuns, quando quero te contar alguma coisa e, por um instante, esqueço que não posso mais. É nessa hora que a tua ausência me pega de novo.
Continuo trabalhando, resolvendo problemas, conversando. Mas fiquei dura, mãe. Mais descrente, às vezes fria, distante de tanta gente. Tenho pouca disposição para explicar o que sinto, responder mensagens, sustentar certas conversas. E também sinto falta de como eu era antes.
Há dias em que eu só queria ficar quieta, sem precisar parecer bem. A saudade já exige tanto de mim...
Neste Círio, olho para Nossa Senhora com o filho nos braços e penso em ti. Tento rezar, mas me faltam palavras. A fé está aqui, meio atravessada pela tristeza, pelas perguntas que ainda faço.
Ainda vem o primeiro Natal... Eu queria que o tempo fosse mais devagar. Que me desse um pouco de descanso entre uma falta e outra.
Mãe, eu tenho tanta coisa para te contar. Hoje, queria mesmo era te chamar e ouvir tua voz me respondendo. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 10/10/2026
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