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O que carrego em mim...Tenho pensado muito sobre essa mania que temos de chamar de perda tudo aquilo que não ficou.
Talvez seja uma forma meio covarde de medir a vida.
Como se só tivesse valido aquilo que durou.
Schopenhauer não tinha muita esperança em nós. Achava que passávamos boa parte da existência entre desejar alguma coisa e descobrir que tê-la também não resolve.
É triste.
Mas há dias em que entendo perfeitamente.
Porque já desejei pessoas. Já desejei lugares. Já desejei permanências.
E algumas vezes consegui. Depois perdi.
Outras vezes nem tive tempo de perder. A vida simplesmente mudou de assunto.
Hoje carrego algumas dessas coisas comigo.
Não fotografias. Não nomes. Nem aquela bobagem de dizer que todo mundo que passa deixa uma lição.
Tem gente que deixa raiva. ... deixa dúvida. ... deixa uma saudade sem utilidade nenhuma. E tem gente que deixa uma espécie de silêncio... Esss talvez seja, o pior!!
Nietzsche escreveu sobre tornar-se aquilo que se é... Sempre achei bonita a frase. Hoje acho um pouco cruel também.
Porque para me tornar quem sou precisei deixar morrer algumas mulheres que fui... E confesso que cheguei a gostar de algumas delas.
Tinha a que confiava mais... Da que ainda achava que determinadas pessoas ficariam... Da que acreditava que intensidade era argumento suficiente para permanência!
Não era... Nunca foi... Ou melhor, Quase nunca é!
Mas elas ainda estão aqui. De algum jeito.
Assim como estão alguns homens, algumas cidades, algumas mesas de bar, alguns quartos, algumas viagens, uma conversa interrompida, um cheiro que às vezes aparece do nada e me devolve inteira para um lugar onde já não existe nada meu.
Talvez envelhecer traga essas sensações E não nos deixa ficar vazias... Ficar cheia demais... Cheia de coisas que já não existem. E que fomos obrigadas a aprender a andar normalmente com tudo isso dentro.
Por isso não acredito muito nessa frase de que no fim somos apenas nós mesmos...
Seria simples demais!
Quando o fim chegar, seja lá o que isso significa, eu estarei cheia de gente.
Dos que me amaram direito. Dos que me amaram mal. Dos que eu amei mais do que deveria. Dos que quase ficaram. Dos que eu mesma mandei embora.
E também daqueles que talvez nem saibam o tamanho do lugar que ocuparam em mim.
Não quero todos de volta. Essa é uma diferença importante.
Aginsl, saudade não é convite! E memória não é pedido de retorno... Jamais!!
Há coisas que eu quero exatamente onde estão: no passado.
Mas são minhas... Fizeram parte da minha vida e agora fazem parte dessa mulher meio estranha que continuo me tornando.
Então, quando alguém diz que no fim amor e amizade falham, eu não sei.
Talvez falhem.
Talvez nós é que tenhamos exigido da vida uma coisa que ela nunca prometeu:
permanência.
Eu só sei que continuo aqui.
Carregando minhas ruínas, meus afetos, algumas cicatrizes, meia dúzia de saudades inconvenientes e uma quantidade absurda de coisas que ninguém vê quando olha para mim.
E talvez seja essa a minha solidão.
Não estar sem ninguém.
Mas ser a única pessoa que sabe exatamente
o que carrego em mim. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 08/08/2026
Alterado em 08/08/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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