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Geografia nenhuma explica...
Tem gente que passa pela nossa vida e passa mesmo.
E tem gente que, mesmo ficando pouco, muda alguma coisa de lugar dentro da gente.
Você fez isso.
Talvez porque eu tenha percebido em você esse movimento constante, essa inquietação, essa forma de olhar para o mundo como quem ainda quer descobrir muita coisa.
E isso mexeu comigo. Mais do que eu esperava.
Eu quis te dar alguma coisa que tivesse sentido. Não uma coisa qualquer, não um presente bonito só porque precisava ser bonito.
Quis te dar parte do meu olhar.
Um pouco do que eu vi, do que vivi, do que ficou em mim.
E talvez, no fundo, eu também quisesse te mostrar como eu te enxerguei.
Foi aí que você me pegou de surpresa.
Porque eu estava tão ocupada tentando te fazer sentir visto, que não percebi que você também tinha me enxergado.
E isso me emocionou... Muito!
Não pelas palavras bonitas.
Mas porque você percebeu coisas que eu não sabia que estavam tão aparentes.
Meu jeito de sentir. Minha intensidade.
Esse meu costume de guardar detalhes, de observar demais, de transformar pequenas coisas em lembrança.
E quando você disse que eu não precisava pedir desculpas por ser intensa, alguma coisa aqui ficou quieta.
Porque eu peço desculpas por isso mais do que deveria.
Às vezes nem falo... Só tento diminuir... Sentir menos, sabe? Demonstrar menos.
Me proteger antes mesmo que alguém diga que foi demais... E aí você simplesmente acolheu.
Sem fazer barulho. Sem promessa. Sem exagero.
Talvez tenha sido por isso que doeu bonito!
E desde então tem uma vontade aqui. Simples! Quase boba.
De te ver de novo... estar perto... De poder olhar para você sabendo um pouco mais.
De ouvir sua voz sem distância...
De descobrir se essa sensação muda quando a gente ocupa o mesmo espaço outra vez.
Não sei se vai acontecer. Nem preciso saber agora. Mas seria mentira dizer que não quero.
Quero!
E talvez o mais difícil seja justamente admitir isso sem transformar vontade em expectativa.
Sem inventar futuro. Sem cobrar destino. Só reconhecer.
Você passou por mim. E alguma coisa ficou.
E eu gostaria, muito, de descobrir o que acontece quando dois caminhos que já se tocaram resolvem se encontrar outra vez. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 07/08/2026
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