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A mulher que fotografava caminhos...Ninguém entendia por que ela quase nunca fotografava pessoas. Quando viajava, voltava com rios. Pontes. Janelas abertas. Barcos vazios. Estradas. Sombras. Luzes entrando por frestas. Pés descansando em uma rede. Nunca fazia questão de aparecer. Quando aparecia, era de perfil.
Como quem dizia ao fotógrafo: — Não olhe para mim. Olhe para onde estou olhando.
Demorou muitos anos para perceber que não colecionava fotografias. Colecionava possibilidades. Cada imagem era uma vida que poderia ter vivido. Uma cidade onde poderia ter permanecido. Um barco que talvez nunca embarcasse. Uma estrada que ainda não sabia para onde levava.
Foi por isso que, quando conheceu um homem que parecia morar no mundo inteiro, acreditou que estava apaixonada por ele.
Só depois descobriu que havia um pequeno engano. Ela não desejava possuir o viajante. Desejava possuir a liberdade com que ele caminhava.
Há uma diferença enorme entre as duas coisas. Amar alguém é querer encontrá-lo. Amar uma vida é querer encontrá-la dentro de si. Naquela noite, ela abriu o álbum de fotografias. Percorreu uma a uma. E sorriu.
O viajante ainda nem existia quando a primeira foto foi feita. Mesmo assim... Todos os caminhos já apontavam para ele. Ou talvez...
Apontassem para ela mesma.
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 06/08/2026
Alterado em 06/08/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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