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(in)Disponibilidade...Eu também gosto quando vêm até mim Porquê sempre fui a pessoa que ia...
Não importava muito onde, a distância, o horário, o trânsito, o cansaço. Se alguém chamasse, eu dava um jeito. E, muitas vezes, nem precisava chamar. Eu mesma me oferecia.
“Eu vou.” “Eu passo aí.” “Eu te acompanho.” “Eu resolvo.” “Não tem problema.” Eu sempre falei muito esse “não tem problema”.
Só que, muitas vezes, tinha. Eu só não dizia.
Eu fui assim com todo tipo de pessoa. Com amigo, parente, conhecido, colega de trabalho, gente que tinha acabado de entrar na minha vida. Eu me colocava à disposição com uma facilidade enorme, mesmo quando ninguém tinha pedido.
Talvez eu gostasse de sair. Talvez eu precisasse ocupar o meu tempo... Talvez eu quisesse fugir do ambiente onde eu estava.
Talvez eu achasse que ficar parada, sem fazer nada, era uma coisa ruim.
Durante muito tempo, eu também quis mostrar que a solitude doía. Que ficar sozinha fazia mal. Que estar em casa, sem companhia, era quase uma espécie de abandono.
Mas a vida foi me mostrando outra coisa.
Morar fora, conhecer outros lugares, viver longe, ter que me virar, ter meus próprios horários, meus próprios hábitos, tudo isso foi me ensinando a gostar da minha companhia.
Eu aprendi a gostar de não fazer absolutamente nada.
E digo isso sem vergonha. Não fazer nada é muito bom.
Ficar em casa, escutar minha música, assistir às minhas séries, mexer nas minhas coisas, dormir, acordar, fazer um café, olhar para o teto, não conversar com ninguém.
Isso também é viver. Nem toda pausa precisa ser preenchida. Nem todo silêncio precisa ser interrompido. Nem todo fim de semana precisa ter compromisso.
Nem toda ausência de convite é solidão. Hoje eu gosto do meu canto. Gosto da minha casa. Gosto de ficar.
E não vejo motivo para sair por qualquer coisa, principalmente quando a outra pessoa também poderia vir até mim. Porque eu sempre fui até as pessoas.
Sempre.
Eu atravessei cidades. Eu peguei estrada. Eu mudei horário. Eu saí cansada. Eu voltei tarde. Eu fui porque achei que era assim que se demonstrava consideração... Só que consideração também é vir. Consideração também é perguntar:
“Posso passar aí?” “Quer que eu vá até você?” “Dessa vez eu vou.”
Parece uma coisa pequena, mas não é. Porque o caminho é o mesmo. A distância é a mesma.
O cansaço de ir e voltar também é o mesmo... Então por que sempre eu?
E eu sei que muita gente se acostumou. Acostumou-se com a ideia de que eu vou dar um jeito.
De que eu vou aparecer. De que eu vou sair da minha casa. De que eu estou sempre pronta. Mas eu não estou.
E não quero mais parecer que estou.
Não quero mais ser lembrada como aquela pessoa que sempre estava disponível.
Porque disponibilidade constante não é uma qualidade. Muitas vezes, é só falta de limite.
E eu não quero mais ter que provar que gosto de alguém saindo da minha casa toda vez que essa pessoa quer me ver.
Quem quer me ver também pode vir. Quem sente minha falta também pode se deslocar. Quem quer minha companhia também pode fazer esforço.
Eu não estou proibindo ninguém de estar comigo... Muito pelo contrário.
Eu só estou dizendo que a minha casa também existe.
O meu conforto também importa. O meu tempo também tem valor.
E, sinceramente, eu gosto quando vêm até mim.
Gosto quando alguém se organiza. Gosto quando alguém faz o caminho. Gosto quando alguém demonstra que a minha companhia vale um deslocamento.
Porque, por muito tempo, só eu fiz isso. E talvez algumas pessoas achem que eu estou ficando difícil.
Mas eu não estou difícil. Eu só não estou mais facilitando tudo.
Dizer não é libertador. Dizer “não quero sair” é libertador. Dizer “venha você” também é libertador.
Mas o mais libertador é não ficar preocupada com a interpretação que vão dar a isso.
Eu não quero sair. Não estou com vontade. Prefiro ficar em casa.
Pode parecer pouco para quem precisa estar sempre em movimento.
Para mim, é paz. Eu já fui muito até os outros.
Agora também quero saber quem vem até mim. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 18/07/2026
Alterado em 18/07/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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