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“Inclusive eu”A vida tem umas curvas que ninguém ensina a fazer.
Tem curva bonita, dessas que abrem a vista e fazem a gente acreditar que vale a pena continuar. Mas tem curva que desmonta. Que pega a gente no meio do caminho, sem aviso, sem preparo, sem delicadeza nenhuma. E talvez o mais estranho de tudo, é que às vezes, a mesma curva que fere também ensina. A mesma que cansa também amadurece.
Eu sempre fui intensa com a vida.
Intensa com os começos, com a descoberta, com o frio bom do que ainda pode ser. Sempre gostei desse instante em que tudo ainda parece possível. Mas estou aprendendo, mesmo que ainda meio torta, a ser intensa também com os fins.
A entender que despedida não é fracasso e que ciclo encerrado não significa que foi em vão. Às vezes, significa só que a vida mudou de forma... Demorei muito para entender que nem toda resposta traz paz. Tem resposta que só machuca mais. Tem busca que só reabre o que já estava tentando cicatrizar. E tem coisa que, por mais difícil que seja aceitar, talvez seja melhor não saber.
Melhor não saber por onde andam certas pessoas que a vida levou de perto da gente... Melhor não saber o que aconteceu com alguns sonhos que um dia pareceram tão certos, tão possíveis, tão nossos, e que depois a própria vida obrigou a soltar e melhor não ficar imaginando, repetidamente, como teria sido se a gente tivesse insistido mais, segurado mais forte, amado melhor, esperado mais um pouco.
Porque tem história que, quando acaba, não precisa de investigação! Precisa de silêncio, de respeito... Precisa ser deixada no lugar onde aconteceu...
A vida já é cansativa demais para a gente passar o tempo inteiro voltando ao ponto onde se feriu, tentando arrancar sentido de coisas que talvez nunca tenham tido explicação. E eu cansei disso. Cansei de voltar, de revisitar, de tentar entender além do necessário. Cansei de procurar chave para porta que já fechou.
Hoje eu quero olhar para quem ficou, quem me ama no presente... E para o pouco que é simples, mas que é real! Para os caminhos pequenos que ainda estão se abrindo diante de mim, mesmo quando eu não consigo enxergar tudo. Para aquilo que Deus, o céu, o destino ou a própria vida ainda reservou, mesmo que venha quieto, sem anúncio, sem pressa.
Ainda penso em alguns sonhos antigos... E a verdade é que eles ainda me fazem sorrir!
Ainda lembro de certas pessoas com carinho, que existem memórias que aquecem meu peito, mesmo sem doer como antes... E, sinceramente, eu espero que estejam bem! Espero mesmo.
Mas não procuro mais saber.
Não fico olhando de longe., nem abro de novo portas que me custaram tanto para fechar... E muito menos confundo saudade com chamado... E nem ausência com destino!
Aprendi, ou pelo menos estou aprendendo, que seguir em frente não é esquecer. É lembrar sem se abandonar no processo. É reconhecer que houve beleza, que houve verdade, que houve afeto, que houve entrega — e que, ainda assim, terminou. E terminar também faz parte.!
Eu continuo sendo intensa pela vida...
Mas agora tento ser intensa também pelo fim das coisas, pelo fim dos ciclos... Das expectativas que já não se sustentam... E também, pelo fim daquilo que já não me escolhe, já não me alcança, já não me cabe. Talvez amadurecer seja isso! Entender que nem todo mistério precisa ser resolvido... Que nem toda história precisa continuar e nem toda ausência precisa ser preenchida.
Às vezes, o melhor que a gente faz por si mesma é parar de procurar.!
E aceitar o não saber! Deixar ir sem deixar de sentir... E confiar que, de algum jeito, as coisas vão encontrar o lugar delas...
Inclusive eu. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 16/07/2026
Alterado em 16/07/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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