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Os sapatos entre nós...Deixamos os sapatos na areia e conversamos como duas pessoas que já sabiam que aquela seria a última vez...
Ele falou do medo de me perder e ouvi em silêncio, porque nunca houve amor da minha parte. Houve curiosidade, desejo de conhecer, alguma ternura e a tentativa de entender alguém que, pouco a pouco, passou a depender de mim para se sentir seguro.
E isso começou a me sufocar!
Cada demora virava suspeita... Cada silêncio, abandono... Cada vontade minha de estar só parecia uma ameaça e não houve grito naquele dia, só uma conversa madura e cansada demais!
Tentei explicar que ninguém pode colocar sobre outra pessoa a responsabilidade de curar o próprio medo... Que companhia não é vigilância e muito menos que afeto não é posse!
Depois, calçamos os sapatos... Ele ainda queria que eu ficasse, enquanto eu, só queria voltar a respirar.
E fui embora sem a dor de perder um amor, mas com o alívio de sair de uma prisão que nunca deveria ter sido chamada de relação. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 14/07/2026
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