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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


Afastamento também faz barulho...

Eu acho que o afastamento não começa quando a pessoa vai embora... Às vezes ela ainda tá ali. Ainda vê alguma coisa sua, ainda responde de vez em quando, ainda aparece. Mas já não existe mais do mesmo jeito.

 

E isso confunde.

 

Porque a pessoa não foi embora completamente. Só deixou de estar perto o suficiente... Aí a cabeça começa a fazer um trabalho que ninguém pediu. Lembra de conversa, de cheiro, de toque, de uma frase dita num momento qualquer. E o que era só lembrança vai ganhando um peso maior do que talvez tivesse.

 

Eu não penso o tempo todo... Não é isso!

 

Mas penso...

Penso quando acordo. Quando vejo alguma coisa que me lembra. Quando aparece uma foto. Quando percebo que ele postou alguma coisa e fico naquela vontade de ver, mas também com medo.

 

Medo de encontrar alguma mulher.

Medo de confirmar o que eu já imagino.

Medo de perceber que a vida dele continuou normalmente enquanto eu ainda tô aqui, tentando entender o que foi que aconteceu dentro de mim.

 

E tem o desejo também.... Não só o desejo físico, esse eu até sei reconhecer!

 

Tem um outro. Um desejo de ainda importar. De ainda ser lembrada. De saber que não fui só um momento bom, uma lembrança quente ou uma passagem qualquer.

 

Acho que é isso que mais mexe... Não é apenas querer a pessoa, é querer, ter significado alguma coisa!

 

E quando a resposta não vem do jeito que a gente esperava, bate uma vergonha meio boba. A gente começa a se perguntar por que mandou mensagem, por que mandou foto, por que se mostrou tanto.

 

Aí vem aquele arrependimento que não é exatamente moral. É mais uma sensação de ter ficado exposta demais diante de alguém que talvez não estivesse no mesmo lugar emocional.

 

E eu sei que idade não deveria ter nada a ver com isso.... Mas tem hora que eu penso que já devia saber me proteger melhor. No alto dos quarentas eu não devia mais cair nessas inseguranças!

 

Só que a verdade é que a idade ensina muita coisa, mas não deixa ninguém imune...

 

A gente continua desejando, querendo ser vista... Até se confundindo e se sentindo pequena em alguns silêncios.!

 

Talvez o afastamento doa tanto porque ele não traz uma resposta definitiva e quando não houve uma conversa final ou um rompimento claro... Em fim, sem nada grande o suficiente para justificar a dor... Que significa só menos presença... pouca conversa e menos certeza de qualquer laço!

 

E esse tipo de ausência é cruel porque deixa a esperança viva, pulsante... O suficiente para não deixar a gente descansar!

 

Então eu fico nesse meio, sabe... Uma parte quer excluir, tirar do WhatsApp, parar de olhar, não saber mais nada! E a outra ainda quer que ele veja... Quer que ele lembre de alguma coisa que nem eu sei explicar direito!

 

Talvez eu não esteja sentindo falta apenas dele... Mas esteja sentindo falta de como eu me senti quando achei que ainda podia existir alguma coisa.

 

E admitir isso já dói.

 

Mas é mais honesto do que fingir que não me importa.

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 12/07/2026
Alterado em 12/07/2026
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