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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


O homem que não cabia no próprio mito...

Ele tinha aquele jeito de homem que o mundo ensinou a ficar duro.

 

Barba, ombro, silêncio, mão firme, olhar de quem atravessou país, língua, medo, fronteira.

 

Por fora, parecia inteiro.

 

Por dentro, era um quarto fechado com muitas chaves perdidas.

 

Gostava de mulher!.Do cheiro... Da pele... Da nuca... Da entrega quente de um corpo feminino encostando no dele como se dissesse: agora cala.

 

Mas havia nele uma vontade que não combinava com a pose;.Uma fome escondida.

 

Um desejo de sair do lugar onde os homens fingem que mandam em tudo.

 

Ali, no escuro certo, ele deixava a armadura no chão... Não virava menos homem! Não, era mais corpo... Mais verdade e mais bicho! E vinha o menino assustado pedindo licença dentro da própria pele...

 

Ela entendeu sem rir, sem fazer pergunta demais... Sem transformar aquilo em nome, rótulo, diagnóstico, sentença.

 

Só tocou como quem diz: eu vi!

E talvez tenha sido isso que desmontou tudo..Porque ele não queria apenas prazer... Queria ser aceito no lugar onde mais tinha medo de existir.

 

E ela, exagerada como chuva de tarde em Belém, guardou aquele segredo no corpo.

 

Não porque era bonito.

 

Mas porque era raro ver um homem abandonar a mentira por alguns minutos... E que delícia ele se transformava!

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 05/07/2026
Alterado em 05/07/2026
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