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No meio da tarde, quando o mundo finge que trabalha e eu finjo que não penso em ti, teu nome aparece por dentro feito chuva chegando em Belém: sem pedir licença, molhando tudo.
Eu não sei que caminho tu fizeste para entrar assim nas minhas horas, mas sei que ficaste em algum lugar entre o desejo e essa doçura perigosa que me desarma.
Há uma parte minha que te quer com calma. Outra, meu bem, te quer como rio cheio: tomando margem, derrubando juízo, fazendo barulho onde antes era silêncio.
E eu, cabocla teimosa, mestiça desse trecho de meu Deus, fico aqui no meio da tarde com essa saudade sem endereço, esse sorriso sem explicação, essa vontade bonita de ser lembrada por ti.
Talvez tu nem saibas, mas hoje passaste por mim sem estar aqui.
E eu senti.
Como quem sente jambu na boca: primeiro estranha, depois treme, depois quer de novo.
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 29/06/2026
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