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Lista de Contatos: Outro dia resolvi sentir saudade.Não de alguém específico. Saudade mesmo. Daquelas que aparecem sem convite, atravessam a tarde e se sentam ao teu lado enquanto tu tomas café.
A culpa foi do endereço... Passei perto de um lugar onde uma pessoa costumava existir. Sim, existir.
Porque há gente que não permanece na nossa vida. Permanece apenas em determinados lugares. Numa esquina. Numa mesa. Numa fotografia antiga. Num horário improvável.
Mandei uma mensagem.
Nada muito elaborado. A idade ensina que grandes discursos raramente produzem grandes resultados. O máximo que acontece é alguém responder com um emoji.
E respondeu.
A tecnologia conseguiu muitas coisas. Colocou pessoas em continentes diferentes dentro do mesmo bolso. Permitiu videochamadas, traduções instantâneas e pagamentos por aproximação.
Mas ainda não conseguiu explicar o significado exato de um coração enviado às 23h16.
Recebi dois... Não um. Dois! Bom, o suficiente para não parecer rejeição e Insuficiente para parecer entusiasmo. Hahah Uma verdadeira obra-prima da diplomacia contemporânea....
Fiquei olhando para a tela por alguns segundos. Depois para o café. Depois para a tela de novo.
Aquela pessoa continuava exatamente onde sempre esteve: em algum lugar entre a lembrança e a realidade.
Foi então que percebi que não estava conversando com ela. Estava fazendo manutenção preventiva numa memória.
A mesma lógica de quem guarda uma chave sem lembrar de qual porta ela abre.
A mesma lógica de quem leva um casaco numa viagem para o Nordeste porque, vai que.
Existe uma espécie curiosa de afeto que não sobrevive de presença nem de ausência... Sobrevive de hábito e nem não dói sabia... hahah, Mas também não aquece! Acho que apenas ocupa espaço.
Então fiz algo que pareceu dramático, mas não foi... Retirei o contato... Restringi no aplicativo... Apaguei alguns caminhos.
Nada contra a pessoa. Foi mais uma questão de organização técnica... hahah
Quando a gaveta está cheia demais, chega uma hora em que não estamos escolhendo o que guardar.
Estamos apenas adiando o descarte. E foi curioso perceber que não senti tristeza, mas, também não senti alívio. Senti a mesma coisa que se sente ao encontrar um recibo antigo dentro de um livro.
A constatação tranquila de que aquilo já teve importância... Meu lado tóxico de mim mesma... De antecipar frustração... Mais uma talvez!
Soltei aquele suspiro que puxei lá do coração... E calmante, terminei meu café.
Olhando o lugar com olhar 360°... Observei a chave do carro sobre a mesa, procurei observar onde tinha estacionado e me despertei para a cidade qur continuava fazendo barulho...
E a vida, sempre muito prática, seguiu em frente sem sequer pedir minha opinião. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 08/06/2026
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