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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos

A delicadeza de ser vista...
Tem dia em que a gente até conversa, mas no fundo está desabando em silêncio.

Hoje eu só queria agradecer algumas reações bonitas que recebi. Dessas que chegam no meio do dia sem fazer barulho, mas acendem alguma coisa por dentro.

Falei do meu sorriso meio cansado, da minha energia baixa, da saudade da minha mãe, desse cansaço estranho de quem passou tempo demais tentando dar conta de tudo.

E, do outro lado, alguém não respondeu correndo.

Não veio com um “vai passar” automático.
Não tentou resolver minha vida em duas frases.
Ele leu.

Leu de verdade.

E talvez isso seja o que mais emociona hoje em dia: alguém conseguir parar diante da nossa dor sem pressa, sem fórmula pronta, sem querer consertar tudo em cinco segundos.

Ele me disse que eu não era intensa demais. Que talvez eu fosse só alguém que já viu de perto o limite da vida e, mesmo assim, escolheu voltar.

Confesso que essa frase me pegou.

Porque tem coisas que a gente sabe sobre si, mas só entende mesmo quando alguém de fora da nossa história consegue enxergar com cuidado.

Falei da minha mãe. Dos 47 anos com ela. Da vida inteira tentando ser forte. Falei dos projetos, das mudanças, dos estados, das malas, das casas que foram passagem, dos sonhos que precisei diminuir para caberem na rotina.

Falei sem muito filtro.

Porque chega uma hora em que a alma cansa de ficar educada. Ela só quer sair.

E ele me devolveu cuidado.

Não como quem promete mundos.
Não como quem invade.
Mas como quem diz, do jeito mais simples:
“eu estou aqui, te escutando”.

E há uma beleza enorme nisso.

Ser admirada pela inteligência é bom.
Ser respeitada pela força também.

Mas ser vista na fragilidade, sem deixar de ser respeitada por isso, é outra coisa.

A gente passa tanto tempo tentando provar que é competente, madura, equilibrada, forte, que às vezes esquece que também tem direito a um dia ruim. Esquece que quem sustenta tanta coisa também precisa, vez ou outra, ser sustentada por uma palavra boa.

Talvez essa conversa não tenha nome.

E talvez nem precise ter.

Existem encontros que não chegam para virar destino. Chegam só para devolver um pouco de sentido.

E, naquela noite, entre uma mensagem e outra, eu percebi que ainda existe gente capaz de olhar além da aparência. Gente que vê o brilho, mas também respeita o peso. Gente que não diminui nossa força e também não transforma nossa dor em fraqueza.

No fim, ele me disse para eu não sumir das fotos bonitas.

Eu sorri.

Porque às vezes a vida não traz grandes respostas.

Às vezes ela só coloca alguém no caminho para dizer, com simplicidade:

“eu vi você”.

E, em certos dias, ser vista já parece muito com ser abraçada.
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 31/05/2026
Alterado em 01/07/2026
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