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Não sei quem foi o primeiro sujeito a comparar amor com liberdade.Provavelmente alguém que nunca precisou esperar uma mensagem.
Porque, na prática, amor e liberdade vivem brigando igual irmãos que se gostam muito, mas não suportam dividir o mesmo quarto.
Vi uma imagem esses dias. Dois passarinhos abraçados.
Não era um abraço humano, claro. Passarinhos não fazem poesia, não escrevem cartas e nem passam horas analisando mensagens que receberam às 23h17. Eles simplesmente encostam um no outro quando o frio chega.
Talvez sejam mais inteligentes do que nós. Fiquei olhando aquela imagem e pensando na frase:
"Não há nada como a prisão de um abraço para garantir a liberdade de quem o dá."
Achei bonita. Depois achei irritante. Depois bonita de novo. Porque existe uma certa crueldade escondida.
A gente cresce ouvindo que amar é segurar. Que amar é manter perto. Que amar é garantir presença. Aí a vida vem e mostra que algumas pessoas são como pássaros migratórios. Elas pousam, cantam uma estação inteira dentro da gente e depois continuam voo.
Não porque não sentiram nada. Mas porque nasceram olhando para o horizonte.
E nós ficamos ali, tentando entender como alguém pode abraçar tão forte sem criar raízes. Talvez porque o abraço nunca tenha sido uma promessa de permanência. Talvez tenha sido apenas um encontro.
Um daqueles raros momentos em que duas vidas se reconhecem no meio do caminho e dividem um pouco de calor antes que o mundo volte a chamá-las para direções diferentes.
É uma conclusão bonita. E terrível.
Porque o coração humano adora transformar encontros em endereços.
Mas a vida, essa criatura debochada, vive nos lembrando que nem todo afeto nasceu para morar... Alguns nasceram apenas para existir.
Como dois passarinhos sobre um galho. Abraçados. Livres.
Sem saber que, cá embaixo, existe alguém tentando entender como uma coisa pode ser as duas ao mesmo tempo. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 30/05/2026
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