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A mulher sentimental que eu conheço...A mulher sentimental que eu conheço não é frágil.
Ela só sente antes de explicar.
Sente quando entra num lugar e percebe que tem algo fora do eixo. Sente quando alguém fala bonito, mas não sustenta o olhar. Sente quando uma relação começa a esfriar, mesmo antes da primeira ausência virar resposta.
Ela é dessas que trabalha com número, contrato, obra, prazo, planilha... mas ainda se desmonta por uma música, por uma lembrança boba, por uma mensagem que não veio.
E talvez seja isso que mais me chama atenção nela. Ela não perdeu a ternura, mesmo tendo motivos.
A vida já tentou endurecer essa mulher muitas vezes. Já exigiu postura, silêncio, racionalidade, força. Já colocou peso demais nas costas dela. E ainda assim, em algum canto, ela continuou inteira por dentro. Meio machucada, talvez. Mas inteira.
Ela ama com defeito de fábrica.
Ama querendo cuidar, querendo entender, querendo ficar. Ama prestando atenção nos detalhes que ninguém pediu para ela notar.
E sofre também.
Porque quem sente muito quase sempre paga caro por enxergar demais.
Mas essa mulher sentimental não é feita só de saudade.
Ela é feita de coragem.
Daquela coragem quieta, que levanta no outro dia, passa um batom, arruma o cabelo, enfrenta o mundo e ainda encontra beleza no meio do caos.
Ela não quer ser perfeita. Acho que ela só quer ser vista de verdade.
Sem precisar explicar tanto. Sem precisar diminuir o que sente. Sem precisar fingir que tanto faz. Porque para ela quase nada “tanto faz”.
E talvez seja justamente isso que a torne tão rara. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 29/05/2026
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