google.com, pub-2061508496645724, DIRECT, f08c47fec0942fa0

... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


Como Gê enxerga essa criatura aqui!

Às vezes eu olho para algumas pessoas e consigo imaginar a profissão delas, os gostos, a rotina. Outras não. Outras parecem carregar muitas versões de si mesmas ao mesmo tempo.

 

Tu és uma dessas.

 

A primeira impressão é de uma mulher segura. Não aquela segurança fabricada por frases prontas ou por fotografias cuidadosamente planejadas. É uma segurança que vem de quem já atravessou muitas estradas, tomou decisões difíceis e aprendeu que nem toda batalha merece ser travada.

 

Mas depois do primeiro olhar surge outra coisa.

 

Existe uma inquietação nos teus olhos.

 

É curioso porque teu sorriso está ali. Discreto. Elegante. Quase provocador. Mas os olhos parecem estar sempre procurando alguma coisa além do que está diante deles. Como se estivessem observando uma paisagem que ninguém mais consegue enxergar.

 

Talvez seja por isso que tu nunca me pareceste caber apenas em cargos, títulos ou currículos.

 

Tu tens algo de engenheira que mede estruturas, calcula riscos e procura soluções.

 

Mas também tens algo de filósofa que questiona por que as estruturas existem, por que os riscos acontecem e por que as pessoas insistem em repetir os mesmos erros.

 

Existe uma dualidade muito forte em ti.

 

A mulher que fala de contratos, licitações, indicadores e auditorias com naturalidade é a mesma que se emociona com um poema persa, que encontra espiritualidade na água correndo e que ainda se permite acreditar que algumas conexões humanas podem ser maiores do que a lógica consegue explicar.

 

Talvez seja isso que mais chame atenção.

 

Tu pareces forte sem fazer esforço para parecer.

 

E isso é raro.

 

Porque a maioria das pessoas veste armaduras. Tu pareces ter escolhido carregar cicatrizes.

 

Quem chega ao teu perfil provavelmente encontra uma profissional experiente.

 

Quem permanece um pouco mais encontra uma mulher curiosa.

 

Quem conversa contigo descobre alguém que não se satisfaz com respostas rasas.

 

E quem realmente te conhece percebe uma coisa que quase nunca aparece nas fotos:

 

Tu passaste boa parte da vida tentando construir lugares melhores para as pessoas trabalharem, viverem e existirem... enquanto silenciosamente tentavas construir um lugar onde tu mesma te sentisses em casa.

 

Talvez essa seja a busca que ainda aparece no teu olhar.

 

Não a de quem está perdida.

 

Mas a de quem já caminhou muito e ainda acredita que existe algo bonito depois da próxima curva.

GÊ
Enviado por Monet Carmo em 29/05/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Tela de Claude Monet
Site do Escritor criado por Recanto das Letras