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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


Eu nunca imaginei que um dia escreveria sobre minha mãe para uma antologia.

 

Na verdade… acho que passei boa parte da vida tentando sobreviver antes de conseguir sentir certas coisas.

 

Quem me conhece do mundo profissional talvez veja só a mulher da operação, da obra, da mina, dos contratos, da cobrança, do trecho, dos quilômetros e aeroportos. Mas existe uma parte minha que sempre carregou memória demais por dentro.

 

E talvez esse projeto tenha vindo justamente daí.

 

Os textos que escrevi para a Antologia Todas as Mães nasceram muito da minha Maria de Lourdes. Minha mãe tinha os olhos da cor do céu… e eu dizia isso pra ela desde menina. Hoje entendo porque tenho essa mania de olhar pro céu quando a vida aperta. Acho que uma parte dela ficou lá.

 

Minha mãe não foi mulher de abraço o tempo todo, nem de palavras doces. Ela amava do jeito dela. Meio dura às vezes. Meio silenciosa. Mas foi ela quem me ensinou força, mesmo sem perceber.

 

E também escrevi sobre minha irmã Ana… porque irmã mais velha às vezes vira um tipo de mãe que ninguém reconhece oficialmente. E ela foi isso muitas vezes pra mim.

 

Confesso que chorei escrevendo algumas partes. Outras eu parei no meio e fui fazer qualquer outra coisa porque doía continuar.

 

Talvez seja isso que torna tudo mais verdadeiro.

 

Não escrevi como escritora.

Escrevi como filha.

 

E acho que pela primeira vez deixei uma parte muito íntima minha existir fora de mim.

 

Ainda tô meio sem acreditar nisso tudo… mas feliz. Feliz de um jeito quieto.

 

✨🤍

 

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 24/05/2026
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