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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


❤️💭

Existe uma fase da vida em que a mulher olha para si mesma e pensa: “pronto… agora virei uma pessoa racional.”

 

Ela paga conta sem surtar. Resolve problema sério no celular enquanto dirige. Consegue marcar reunião, discutir contrato, falar de stakeholders e ainda escolher o amaciante mais barato do mercado.

 

Ou seja: claramente uma executiva emocionalmente estabilizada. Até aparecer um homem que responde: “vem?”... E vc simplesmente pega a chave do carro... E vai!

 

O amor moderno não destrói mais ninguém com serenata. Hoje ele destrói com localização em tempo real no WhatsApp.

 

E sinceramente? Que humilhação deliciosa. Porque dessa vez foi diferente.

 

Na primeira vez ainda existia aquela tensão bonita do desconhecido. O cuidado. A análise psicológica escondida atrás do flerte. O “será que ele é real?”. Mas agora não. Agora já existia intimidade suficiente para entrar numa conversa absolutamente adulta como: “faz metade do caminho.” “deixa o carro no shopping.” “eu tomo banho enquanto vc decide.”

 

Romance contemporâneo é basicamente logística com tesão.

 

E o pior é que eu estava funcionando normalmente até ele mandar: “Daqui a 20 minutos eu vou estar pronto.”

 

Pronto.

 

Olha a violência emocional dessa palavra numa mulher 40+ emocionalmente cansada.

 

Porque eu percebi uma coisa assustadora: eu queria ir... Não aquele querer impulsivo. Não aquele tesão automático de motel.

 

Eu queria a companhia.

 

Queria o caminho. Queria a conversa no carro. Queria ele entrando. Queria o jeito calmo. Queria o abraço. Queria até aquela organização masculina estranhamente objetiva de quem pensa: “vamos fazer metade do trajeto cada um.”

 

E honestamente? Talvez tenha sido aí que eu entendi o tamanho do problema... Porque o perigo nunca é o sexo.

 

Sexo vc supera. Sexo vc racionaliza. Sexo vc transforma em memória bonita e segue trabalhando na terça-feira como se nada tivesse acontecido. O problema é quando a pessoa começa a caber dentro da tua rotina emocional.

 

Aí acabou! 

 

E no meio disso tudo ainda existe o fato humilhante de que eu virei exatamente o tipo de mulher que sempre critiquei: a mulher que olha o celular sorrindo sozinha... Patético! 

 

Eu, uma profissional adulta, analisando emoji de beijo às onze da noite como se estivesse decifrando código da NASA.

 

E ainda pior: feliz! Ridiculamente feliz.

 

Porque tem gente que chega bagunçando tudo. Mas tem gente que chega organizando lugares internos que a gente já tinha desistido de arrumar.

 

E talvez tenha sido isso que mudou dessa vez... Não foi o motel... Não foi o sexo... Não foi o tesão absurdo, foi o conforto! Foi a naturalidade... Foi ele entrando na minha noite como se já existisse espaço reservado.

 

E isso, sinceramente? É muito mais perigoso do que paixão.

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 18/05/2026
Alterado em 18/05/2026
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