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🧠💭Tem uma fase da vida em que a gente acha que já entendeu tudo sobre si mesmo. Sobre desejo. Sobre carência. Sobre solidão.
E essa solidão, a gente aprende a dormir sozinho, a dirigir sozinho, a resolver boleto, obra, contrato, problema, vazamento, equipe, fornecedor e crise emocional tudo no mesmo dia. E vai ficando eficiente nisso. Perigosamente eficiente.
Até que um desconhecido aparece. E não precisa fazer muita coisa.
Às vezes basta sentar numa mesa, mexer no cabelo de um jeito específico, sorrir tentando compreender teu português rápido demais e olhar pra vc como quem realmente está ouvindo.
Pronto.! A desgraça emocional começa aí.
O pior é que eu nem queria aquilo. Essa é a parte humilhante da história. Eu estava torcendo para não sentir nada. Torcendo para a química não bater. Torcendo para o beijo ser ruim, para o sexo ser estranho, para o cheiro não encaixar, para o corpo não reconhecer presença nenhuma. Mas ai... Ele reconhece!
E quando o corpo reconhece antes da razão… a mulher inteligente vira praticamente uma adolescente premium com boleto e dor lombar.
O problema é que pessoas interessantes quase sempre carregam algum tipo de distância. E ele carregava um oceano inteiro. Estrangeiro. Outro idioma. Outra cultura. Outra vida. Outro ritmo. Um homem que trabalha desde os doze anos, viaja o mundo e provavelmente aprendeu a partir sem fazer muito barulho.
Enquanto isso, eu… especialista em permanecer. Especialista em criar casa emocional até em conversa de aplicativo.
E talvez tenha sido isso que me desmontou. Não foi exatamente ele. Foi o espelho. Foi entrar no apartamento dele e perceber que eu já tinha vivido aquela vida antes. A vida da mulher que encontra pessoas em cidades diferentes, que cria intimidade rápida porque a vida no trecho também é rápida. Vitória voltou inteira na minha cabeça naquela noite. O cheiro, o improviso, a sensação de liberdade misturada com abandono.
Eu olhei ao redor e pensei: “Meu Deus… eu virei exatamente a pessoa que eu conheci anos atrás.”
Só que dessa vez eu não estava no controle da situação. E talvez seja isso que tenha me deixado tão desconfortável depois.
Porque quando o sexo é maravilhoso, pelo menos a gente encontra uma justificativa prática pra obsessão. Agora quando a pessoa mexe com alguma coisa que não termina no corpo… aí complica.
Esse silêncio adulto, moderno e covarde que nasce depois de dois dias intensos. Ninguém some completamente. Ninguém fica completamente. As pessoas apenas diminuem a presença devagar enquanto continuam assistindo teus stories.
Uma tortura emocional criada pela tecnologia.
No fundo, acho que eu só queria continuidade. Não um relacionamento. Não um pedido de amor eterno. Só continuidade. Mais uma conversa. Mais um café. Mais uma estrada. Mais um fim de tarde olhando o rio sem precisar fingir desinteresse emocional o tempo inteiro.
Mas talvez certas pessoas existam apenas para lembrar que a gente ainda consegue sentir alguma coisa.
E honestamente? Isso também assusta muito. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 16/05/2026
Alterado em 16/05/2026 Comentários
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