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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


Eu não me afastei por falta de interesse.

Talvez tenha sido exatamente o contrário… e isso seja a parte mais difícil de admitir.

 

Existe uma diferença muito grande entre não sentir nada… e sentir alguma coisa que bagunça a gente por dentro.

 

Quando te vi entrando e caminhando na direção da mesa, antes mesmo de qualquer conversa mais longa, antes do almoço, antes do toque, antes de qualquer intimidade… me veio um pensamento estranho e absurdamente específico... O refrão da música - Girassois de Van Gog (Baco Exú)

 

“vc têm uma cara de quem

vai fu..er minha vida,

e o seu olhar é um caminho

sem saída... (...)”

 

E olha que isso não combina comigo.

Eu costumo observar demais antes de me envolver. Analiso tom de voz, comportamento, silêncios, presença, arrogância, gentileza, coerência… talvez até mais do que deveria. Só que contigo aconteceu uma coisa rara: antes da minha lógica chegar… minha sensação já tinha chegado primeiro.

 

E isso me assustou um pouco.

 

Porque adultos aprendem a controlar muita coisa. Agenda. Trabalho. Emoção. Aparência. Linguagem. A gente aprende até a fingir tranquilidade quando está emocionalmente atravessado. Mas existem algumas pessoas que entram quebrando discretamente essa organização interna.

 

Sem esforço... Talvez por isso eu tenha ficado mais silenciosa depois... Não foi desinteresse, foi percepção!

 

Perceber que tua presença ficou ecoando mais do que eu imaginava. Perceber que a energia do encontro tinha sido leve demais para ser apenas casual. Perceber que teu jeito quieto também dizia coisas. E principalmente perceber que, em muito pouco tempo, eu já estava te observando com cuidado emocional.

 

Isso é perigoso.

 

Porque o problema das conexões verdadeiras não é o começo. O começo costuma ser bonito. O problema é quando a gente entende que talvez exista profundidade ali… e não sabe ainda o que fazer com isso.

 

Então o silêncio aparece.

Não como ausência.

Mas como defesa.

 

Como quem diminui um pouco os movimentos para não deixar o coração correr sozinho na frente do corpo.

 

Talvez vc nunca imagine isso olhando de fora. Talvez eu ainda pareça tranquila, irônica, madura ou até distante. Mas a verdade é que algumas pessoas mexem na nossa paz de um jeito muito silencioso...

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 15/05/2026
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