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🦋Eu já fui uma casa sem porta…Não daquelas que esquecem de fechar mas daquelas que deixam aberta de propósito com a luz acesa esperando alguém chegar.
As pessoas não precisavam bater. Elas já sabiam onde ficava a chave sabiam o caminho até mim e eu deixava.
Eu me oferecia inteira, sem medida, sem cálculo e sem proteção.
Eu etiquetava cada pessoa com cuidado, como se fosse permanente e como se ninguém fosse embora.
Eu dava além do que me cabia. Amava além do que me era devolvido. Oferecia partes de mim que nem eu entendia direito, só pra não correr o risco de ser esquecida.
E isso me consumiu…
Não foi de uma vez. Foi aos poucos em pequenas concessões em silêncios engolidos e em cansaços ignorados.
Até o dia em que eu percebi que já não era mais eu ali.
Eu tinha me tornado alguém moldada pelo excesso, pelo medo, pela necessidade de ser vista.
Eu dei tanto, que quando precisei de mim, já não tinha mais nada.
E foi aí que doeu de verdade. Não pelas pessoas, mas por mim.
Pela forma como eu me abandonei em nome de conexões que nunca foram inteiras.
Foi nesse lugar meio quebrado meio lúcido, que eu entendi algo difícil:
"nem todo acesso é privilégio. Às vezes, é invasão consentida!"
E então eu mudei. Não virei fria, não deixei de sentir, não deixei de amar. Eu só aprendi a escolher.
Hoje, nem todo mundo entra. Nem todo mundo fica. Nem todo mundo me conhece.
E não é dureza, é respeito! Eu construí paredes, sim, mas não pra me esconder do mundo…
foi pra finalmente me proteger de me perder nele.
E, pela primeira vez, eu continuo sendo inteira, mesmo quando ninguém entra. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 20/04/2026
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