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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


Tem gente que não esteve… e ainda assim chega como se tivesse direito.

Não estava no cansaço. Não estava nas noites mal dormidas. Não estava no cheiro de remédio, no corpo doente, na rotina que esgota… Mas aparece agora. Limpo. Inteiro. Pronto pra opinar.

 

É quase uma violência silenciosa…

Porque quem viveu sabe o peso de cada dia. Sabe o que é engolir o próprio limite pra não deixar faltar cuidado. Sabe o que é escolher ficar… enquanto outros escolhiam ir. E o mais duro não é a ausência… É a cobrança!

 

Cobrar presença depois de não ter estado. Cobrar direito depois de não ter assumido dever... Cobrar parte de algo que nunca ajudou a sustentar. E, quando esteve… foi com preço. Até o gesto mais simples precisava ser pago. Como se o cuidado tivesse valor de mercado. Como se mãe fosse serviço. Como se afeto fosse prestação.

Isso não é só distância… É ruptura! Ruptura de valor... Ruptura de caráter... Ruptura de humanidade... Porque tem coisa que não se negocia… E tem gente que negocia tudo.

 

O mais brutal disso tudo não é a morte… É ver que, mesmo diante dela, ainda existe quem escolha o interesse.

Quem escolha diminuir o que foi feito… quem escolha distorcer o que foi vivido… quem escolha se colocar acima da própria história.

 

Mas a verdade não precisa de voz alta… Ela fica!

Fica nos dias que ninguém viu... nas contas pagas em silêncio... nas mãos que seguraram até o fim. E, no final… é isso que separa, não quem herdou mais… mas quem foi capaz de ser digno quando ainda havia tempo.

 

 

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 02/04/2026
Alterado em 02/04/2026
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