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Medo de se enxergar por inteiro é esse aperto surdo no pulmão, é evitar o espelho verdadeiro e preferir a máscara na mão.
A gente se recorta o dia inteiro para caber no molde da ocasião, arranca o excesso, doma o desordeiro, e chama de virtude a mutilação.
Não é poema trágico nem cena, é rotina vestida de decoro, é medir cada impulso que acena.
E o que se cala apodrece no foro íntimo, onde a culpa nos condena, fazendo do desejo o próprio choro. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 16/02/2026
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