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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


O olho de gato, a voz de quem era vista.

Inspirada no cap.1

de Georges Bataille 

 

Tu achavas que eu não percebia.

Mas eu via teu olhar antes mesmo de tu sustentar.

 

Tu dizes que foste criado sozinho…

mas naquele dia quem estava exposto eras tu.

Eu apenas vestia um avental claro,

uma gola bem passada,

e por baixo… silêncio e pele.

 

Tu pensavas que era descoberta.

Para mim era consciência.

Eu sabia da tua angústia.

Ela caminhava na tua respiração curta,

no modo como teus olhos subiam devagar

pelas minhas meias negras.

 

Tu ainda não tinhas coragem de nomear direito.

E quando nomeavas, aquele nome direto, cru, achavas que era segredo teu.

Não era.

Eu sabia o que havia sob o avental.

Sabia o peso do tecido

e o que ele escondia…

 

Tu imaginavas levantar, revelar, contemplar… como se o mundo se abrisse diante de ti.

 

Mas deixa eu te contar uma coisa

que tu nunca percebeste:

quem levantava o tecido era eu.

Quem permitia o jogo era eu.

Quem decidia até onde ia… era eu.

O prato de leite no corredor

não era distração, era cenário.

 

Quando eu disse que os pratos eram feitos para sentar

eu não estava brincando contigo.

Eu estava medindo tua coragem.

 

Tu pensavas que estavas me observando.

Mas eu te observava crescer

dentro do próprio desejo…

 

E o gato?

O gato sabia.

 

Ele sempre sabe

quem está caçando

e quem está sendo conduzido.

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 16/02/2026
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