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Série: Governança da Sombra.I– O CorteTema: reconhecer que algo precisa cair.
Não há triunfo aqui. Há carne. Há um corpo que já foi promessa agora dobrado sobre si como um pensamento que perdeu o fôlego.
As asas não são símbolo. São peso. São o excesso que cresce quando alguém aceita olhar o abismo sem pedir desculpas.
Ela pisa. Não por glória. Mas porque o chão exige um gesto definitivo.
O monstro sob seus pés não é outro. É o que transbordou. É o desejo que se acreditou ilimitado. É a febre que confundiu intensidade com eternidade.
A lâmina não corta apenas tecido. Corta continuidade. Interrompe o fluxo do que se tornaria infinito demais.
Existe algo obsceno na ordem. Organizar é mutilar o excesso. Governar é escolher o que pode viver. O sangue não escandaliza... revela!
Toda estrutura nasce de um sacrifício. Toda estabilidade exige que algo seja ... exposto, rasgado, oferecido.
Ela inclina a cabeça. Não há pureza. Não há maldade. Só a consciência de que, para permanecer, é preciso destruir o que ameaça crescer além da medida.
E no silêncio que fica não há redenção.
Há lucidez. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 14/02/2026
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