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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


EUA: E o manual do gestor de países...

 

Toda vez que alguém diz que vai “gerenciar” um país, o mundo deveria parar.

Mas não para… aplaude, compartilha, escolhe lado.

 

Gerenciar é verbo de planilha.

País não é planilha.

Povo não é KPI.

Soberania não é item ajustável.

 

Quando uma potência se autoriza a administrar outra até que “alguém melhor” apareça, a democracia já morreu no discurso. O que sobra é tutela armada com verniz moral. A velha história… agora com PowerPoint, Twitter e bomba inteligente.

 

A Venezuela vira vitrine do que o mundo aceita quando convém.

Ditadura ruim… invasão conveniente.

Autoritarismo interno… autoritarismo exportado.

 

Troca-se o tirano local pelo curador internacional.

Muda o idioma.

Mantém-se o controle.

 

E aí surgem os aplausos seletivos.

Os que odeiam ditadores, desde que sejam inimigos.

Os que defendem soberania, desde que não atrapalhe o mercado.

Direita e esquerda disputando quem passa pano com mais convicção… enquanto o território vira balcão.

 

O petróleo sempre aparece na legenda… nunca no título.

As terras raras ficam fora do texto… mas dentro do cálculo.

O discurso é democracia.

O motor é recurso.

 

O Brasil olha e finge neutralidade.

Como se fronteira fosse parede.

Como se precedentes respeitassem passaporte.

 

Somos grandes demais para fingir ingenuidade.

Ricos demais para sermos invisíveis.

E frágeis demais para brincar de espectador.

 

Quando se normaliza a ideia de que países podem ser “gerenciados”, ninguém está seguro. Hoje é o vizinho instável. Amanhã é quem tem água, minério, energia… e pouca capacidade de dizer não.

 

Governança sem soberania não é governança.

É administração colonial com linguagem moderna.

 

A história não pergunta se vc concorda.

Ela apenas registra quem se calou…

e quem aplaudiu achando que não era com ele.

 

No fim, não é sobre Maduro.

Nem sobre Trump.

É sobre o mundo aceitando que força volte a ser argumento.

 

E toda vez que isso acontece…

alguém perde liberdade.

Mesmo achando que ganhou razão.

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 03/01/2026
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