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não é prisão é concordância silenciosa
o corpo encostado à árvore aprendeu cedo que madeira também escuta
as cordas não ferem ensinam desenham no corpo o mapa exato da entrega
não há grito porque o rito não pede ruído
a figura negra não se aproxima domina pela distância o poder não precisa tocar para atravessar
o véu arrasta no chão como memória como promessa como ameaça sem pressa
o corpo amarrado não implora ele sustenta o peso de ser visto inteiro exposto sem metáfora
há erotismo no controle não no ato mas no intervalo entre obedecer e desejar
a árvore não salva testemunha
as pernas tremem não de medo mas de reconhecimento o corpo sabe quando está sendo lido como texto vivo
o nó aperta não para conter mas para lembrar que liberdade também pode imobilizar
a figura negra observa não por crueldade mas por método
todo desejo profundo exige forma exige limite exige silêncio
e ali na fricção entre corda e pele entre olhar e espera entre entrega e poder
o corpo aprende que nem todo abismo é queda
alguns são altar e nem toda submissão é perda
algumas são a mais íntima das escolhas.
✨️✨️✨️✨️✨️✨️✨️✨️
✔️Nota do texto
Este texto não descreve um ato, nem celebra a violência. Ele opera no campo do rito simbólico, onde desejo, poder, fé e corpo se friccionam como linguagem.
A blasfêmia aqui não é contra uma religião específica, mas contra a ideia de pureza moral aplicada ao desejo. O sagrado é tratado como aquilo que exige forma, limite e consciência, não como redenção. O corpo não é vítima… é signo, escolha, prova.
O desconforto é intencional. Ele nasce do deslocamento entre o que se espera que seja amor, fé ou entrega e o que, de fato, pulsa quando o controle é assumido como pacto — não como coerção.
A imagem e o texto se encontram no intervalo: entre submissão e autonomia, entre altar e abismo, entre consentimento e vertigem.
Não há catarse. Há permanência no limite.
Essa é a Poética da Fricção: não reconciliar… expor. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 27/12/2025
Alterado em 27/12/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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