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Manual improvisado para não chorar
Eu diria que sinto muito se a palavra ainda tivesse peso. Mas ela caiu tantas vezes da minha boca que virou poeira no chão da sala.
Aprendi a sorrir nos momentos errados, a disfarçar o impacto com ironia, a fazer do riso um escudo quando o peito já estava rachado.
Dizem que não se chora. Que segurar é sinal de força. Então segurei. Segurei tanto que algo em mim endureceu.
Te confundi com certeza quando eras escolha. Te empurrei com silêncio achando que amor sabia voltar sozinho.
Hoje sei… há ausências que não aceitam pedido de desculpa, há portas que não rangem quando fecham, há partidas que não fazem barulho mas mudam toda a acústica da vida.
Eu faria quase tudo para refazer o gesto, para medir melhor as palavras, para não rir quando era hora de ficar.
Mas continuo aqui, com os olhos cheios e a postura intacta, ensinando a mim mesmo como esconder o que transborda.
Porque aprendi cedo demais a não chorar por fora… e tarde demais o custo disso por dentro. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 26/12/2025
Alterado em 26/12/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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