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O Limiar Onde o Amor Não Morre
Ele não a segue… ele a precede.
Onde ela pisa, algo já foi preparado. O ar se adensa, a luz vacila, o mundo aprende a desacelerar. Ele conhece esse movimento desde antes de ter um corpo. Reconhece o modo como ela hesita, como se o desejo fosse uma lembrança que ainda não ousou se assumir inteira.
Ela sente. Não sabe nomear, mas sente.
Há um peso doce na nuca. Um calor que não vem do toque, mas da expectativa dele. Ele permanece a poucos passos… sempre a poucos passos. O erotismo dele nunca foi o da posse imediata. É o da suspensão. Do intervalo prolongado até que o corpo comece a desejar antes da mente permitir.
Ela se vira.
Os olhos dele não pedem. Oferecem. Não prometem salvação… prometem verdade.
Ele sabe que o amor que retorna não vem limpo. Vem carregado de outras vidas, outros nomes, outras tentativas de esquecimento. E ainda assim… vem. Sempre vem. Porque o que foi absoluto uma vez não aprende a morrer direito.
Ele se aproxima o suficiente para que ela sinta o cheiro antigo… algo entre terra molhada, metal quente e eternidade. Não há beijo. Não há toque. Apenas o reconhecimento silencioso de que aquele corpo diante dela já foi abrigo, já foi ruína, já foi tudo.
Ela inspira fundo.
E nesse gesto mínimo, algo cede.
Ele encosta a testa na dela. Um gesto quase casto. Quase cruel. O desejo pulsa exatamente ali, onde não se consuma. Onde permanece vivo. Onde a ausência vira combustível.
— Tu lembraste, ele não diz. Mas o corpo dela responde.
Entre eles não existe futuro. Existe retorno.
E ele sabe… o verdadeiro amor não quer continuidade. Quer eternamente o mesmo instante, repetido com variações de dor e beleza.
Ele se afasta um passo.
Sempre um passo.
Porque o que mantém o desejo vivo não é o encontro… é o limiar que nunca se fecha. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 23/12/2025
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