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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


Nota de abertura

Este ciclo integra a Poética de Fricção Liminar. O erotismo aqui não seduz, não promete, não cura. Ele expõe. Não há romantização. Há contato.

 

 

1. Cecília e o Calor Antes do Gesto

Cecília aquece por antecipação.

O desejo não se move…

instala-se.

Há um intervalo espesso

entre o quase

e o nunca.

O corpo aprende a conter

como quem segura a respiração

com medo de trair o próprio pulso.

 

2. Cecília em Estado de Tensão

Cecília não chama.

Ela permanece.

O desejo nela não avança,

acumula.

Pressiona por dentro

como um pensamento indevido

que insiste em voltar.

Cada pausa é um ensaio de queda.

Cada silêncio,

um excesso.

 

3. Cecília e a Fricção do Olhar

O olhar de Cecília não percorre.

Ele demora

até incomodar.

Não toca,

mas pesa.

Há um tempo prolongado demais

entre o ver

e o desviar.

Nesse atraso,

algo se desorganiza.

 

4. Cecília Corpo-Interdito

O corpo de Cecília é aviso.

Não promessa.

A pele marca fronteiras

com uma precisão cruel.

Entre desejo e gesto

existe um campo tenso

onde o erro seria

ceder cedo demais.

O limite excita

porque resiste.

 

5. Cecília Depois do Desejo

O desejo não acontece.

Mas deixa rastro.

Permanece

como calor residual

num corpo imóvel.

Cecília segue inteira…

mas algo nela

aprendeu a arder

sem saída.

Não houve toque.

Ainda assim,

houve fricção suficiente

para deslocar o eixo.

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 22/12/2025
Alterado em 27/12/2025
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