google.com, pub-2061508496645724, DIRECT, f08c47fec0942fa0

... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


Nota de abertura

 

Estes textos integram a Poética de Fricção Liminar, uma escrita experimental baseada no atrito entre corpo, desejo, linguagem e paisagem psíquica. Não busca conciliação, mas exposição.

 

 

Deslocamento

Já não habito
o lugar de onde falo.

O corpo mudou de eixo
e a linguagem não acompanhou.

Continuo escrevendo
de um ponto que não reconheço.

Perda de Forma

A frase não sustenta
o peso do corpo.

Algo cede no meio.
Deixo cair.

Não reconstruo.
A ruína também escreve.

Sem Nome

Retiro o nome
como quem remove um órgão.

O texto respira melhor
sem identidade.

Não sou personagem.
Sou resto ativo.

Sintaxe Quebrada

Começo
mas não termino
porque a ordem falhou
antes.

A lógica se dissolve
no próprio avanço.

Aceito o erro
como estrutura.

Ruído

O texto interfere
em vez de comunicar.

Algo vibra fora de frequência.
Não ajusto.

Quem lê
que atravesse.

Erro Persistente

O erro retorna.
Não aprendeu nada.

Repete o gesto
com precisão incômoda.

Não corrijo.
É ele que mantém o sistema instável.

Exposição Máxima

Nenhuma metáfora protege.
Nenhum desvio suaviza.

O corpo aparece
sem autorização.

Não explico.
Sustento.

Matéria Viva

Não há símbolo.
Há carne de linguagem.

O texto pulsa
sem promessa de sentido.

Escrever é tocar
o que ainda reage.

Atrito Contínuo

Nada resolve.
Nada fecha.

O desejo passa,
raspa,
retorna.

A escrita insiste
porque não sabe parar.

Depois do Texto

O texto acabou.
O impacto, não.

Algo permanece
fora da página.

Não é entendimento.
É estado.

Estado de Permanência

Não encerro.
Suspendo.

Fico nesse ponto
onde o silêncio não acalma
e a palavra não salva.

A escrita permanece
em fricção.

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 21/12/2025
Alterado em 27/12/2025


Comentários

Tela de Claude Monet
Site do Escritor criado por Recanto das Letras