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Nota de aberturaEste texto integra a Poética de Fricção Liminar, uma escrita experimental baseada no atrito entre corpo, desejo, linguagem e paisagem psíquica. Não busca conciliação, mas exposição.Ensaio: Georges Bataille - O excesso como verdadeGeorges Bataille escreve onde a razão hesita.
Desde o início, sua escrita se move contra a lógica da conservação. Contra o acúmulo. Contra a economia do sentido. Para Bataille, viver não é administrar a vida, mas arriscar-se nela. O sagrado fora da elevaçãoEm Bataille, o sagrado não está no alto. O sagrado emerge no excesso, naquilo que ultrapassa a função, o cálculo e a moral. No erotismo, no sacrifício, na violência simbólica, na experiência que dissolve o sujeito e interrompe a lógica produtiva.
Esse sagrado não consola. Ao contrário da religião institucional, que domestica o sagrado para torná-lo aceitável, Bataille insiste em devolvê-lo ao seu estado bruto… perigoso, ambíguo, irreconciliável com a razão utilitária. Erotismo como rupturaO erotismo, em Bataille, não é prazer romântico nem expressão identitária. O corpo erótico não busca satisfação. No erotismo, o sujeito deixa de ser unidade fechada e se expõe à dissolução. É por isso que o erotismo incomoda tanto… ele ameaça a ideia de indivíduo estável, moralmente coerente e socialmente funcional. Bataille não erotiza para seduzir. Romper com a ilusão de controle. A crítica à utilidadeNo centro do pensamento batailleano está a recusa da utilidade como valor supremo. Bataille inverte essa lógica. O gasto improdutivo, o desperdício, o excesso, a festa, o sacrifício… são experiências que não constroem nada durável, mas expõem algo essencial. Elas revelam que a vida não se justifica pela eficiência. Escrita como experiência-limiteA escrita de Bataille não explica suas ideias.
Há um desconforto constante em seus textos, uma recusa deliberada de clareza pacificadora. O leitor é colocado diante de conceitos que não se fecham, imagens que perturbam, ideias que não se resolvem.
Ler Bataille é aceitar uma experiência instável.
O pensamento não se mantém intacto após o contato com o excesso. Bataille e a Poética de Fricção LiminarNa Poética de Fricção Liminar, Bataille atua como força de ruptura. Ele impede que a escrita se torne apenas crítica intelectual ou exercício formal. Introduz o custo do corpo, o risco da exposição, a tensão entre desejo e interdito.
Aqui, o excesso não é ornamento.
O texto não administra o impacto.
Não há promessa de elevação espiritual. Bataille garante que a fricção não seja apenas estética, mas existencial. Consequência éticaLer Bataille hoje não é um gesto confortável. Não para abandoná-la de forma ingênua, mas para reconhecer seus limites.
A escrita que se deixa atravessar por Bataille não busca absolvição.
E é exatamente aí que Bataille insiste… Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 20/12/2025
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