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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


Nota:

Este texto integra a Poética de Fricção Liminar, uma escrita experimental baseada no atrito entre corpo, desejo, linguagem e paisagem psíquica. Não busca conciliação, mas exposição.

 

Não escrevo para representar o mundo.
Escrevo porque o mundo já se tornou irrepresentável.

O corpo deixou de ser interior.
Ele se projeta em ruas, telas, ruínas, protocolos.
A psique não sonha… opera.

 

Aprendi com Bataille que o sagrado não mora na elevação,
mas no excesso que rompe a utilidade.


Com Leiris, que escrever é se expor sem garantia.
Com Blanchot, que a linguagem falha… e é nessa falha que algo acontece.
Com Klossowski, que o desejo não pede permissão moral.
Com Ballard, que o trauma constrói paisagens.
Com Nietzsche, que a vida não se justifica, se afirma.

 

Minha escrita nasce desse atrito.
Não descreve o limite… habita.

 

O haicai, aqui, não contempla.
Ele corta.
É breve porque o impacto não precisa de ornamento.

Não ofereço sentido.
Ofereço presença.

 

A moral é histórica.
O desejo, não.

Se há silêncio, ele não acalma.
Se há excesso, ele não seduz.
Ambos revelam.

 

Escrevo onde o humano se desfaz de suas promessas
e ainda assim insiste.

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 20/12/2025
Alterado em 20/12/2025
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