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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


Nota de abertura

Este texto integra a Poética de Fricção Liminar, uma escrita experimental baseada no atrito entre corpo, desejo, linguagem e paisagem psíquica. Não busca conciliação, mas exposição.

 

Minha escrita atravessa fronteiras incômodas.

Nos últimos anos, meu trabalho literário passou a se formar a partir do diálogo com autores como Georges Bataille, Michel Leiris, Maurice Blanchot, Pierre Klossowski, J. G. Ballard e Friedrich Nietzsche. Não como influência decorativa, mas como fricção real entre pensamento, corpo e linguagem.

 

Desses encontros nasce um estilo que recusa a poesia como conforto. Escrevo a partir do limite… onde o desejo confronta a moral, onde o sagrado deixa de ser transcendência e passa a ser risco, onde o humano não é idealizado, mas exposto.

 

Em J. G. Ballard, encontro a paisagem psíquica objetificada, a mente projetada em cidades, máquinas, ruínas e excessos. Em Nietzsche, a desmontagem da moral como valor absoluto e a afirmação da vida como força, mesmo quando ela se revela contraditória, instável ou violenta. Entre ambos, construo uma poética do choque lúcido.

 

Minha poesia não busca a beleza tradicional. Busca tensão.

Não descreve a queda… acontece durante ela.

 

O haicai, forma que atravessa parte do meu trabalho, é tratado aqui como fragmento crítico, não contemplativo. Curto não por delicadeza, mas por impacto. Um corte rápido no excesso de anestesia cotidiana.

 

O corpo, nesse território, é linguagem.

O desejo, método.

A transgressão, ferramenta de leitura do mundo.

 

Não escrevo para explicar.

Escrevo para expor.

 

Meu trabalho literário e visual investiga o que resta do humano quando as certezas falham… quando a moral se revela histórica… quando o silêncio e o excesso se tocam. É uma escrita que não oferece redenção, mas consciência. Não promete sentido, mas presença.

 

Se há algo que atravessa tudo o que escrevo, é a recusa do adorno vazio e a aposta na lucidez radical.

Mesmo quando ela incomoda.

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 20/12/2025
Alterado em 20/12/2025
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