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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


Mudar é o que salva...

Há quem ainda tente me ler com os olhos de dez anos atrás… como se eu tivesse sido congelada na antiga versão de mim mesma. Só que dez anos, para quem vive de verdade, não passam impunes. São nove estados, dezenas de cidades, contratos difíceis, ambientes hostis, metas que mudam de cor e de peso. São vidas cruzadas, culturas diferentes, desafios que me exigiram coragem, técnica e, principalmente, a capacidade de continuar sendo humana quando o ambiente pedia brutalidade.

 

Mudar não foi uma escolha… foi um movimento natural de sobrevivência. Quem vive projetos complexos, quem assume responsabilidades que colocam gente, segurança e reputação no centro, não tem o privilégio de permanecer igual. Cada decisão difícil, cada madrugada resolvendo problema que ninguém queria tocar, cada ambiente novo onde precisei me adaptar… tudo isso me deslocou da versão antiga e me entregou uma versão mais inteira.

 

O curioso é que muita gente não veio junto. Encontram comigo hoje e tentam me encaixar na gaveta de antes. A mesma frase, a mesma expectativa, o mesmo rótulo… como se eu ainda precisasse provar alguma coisa. E esse talvez seja o maior indício de quem não mudou: a necessidade constante de provar. Provar que sabe, provar que faz, provar que acontece. A inquietação infantil de ter plateia para cada movimento.

 

Enquanto isso, quem realmente amadureceu trabalha em silêncio. Observa mais. Entende fluxo, entende custo, entende gente. Lê cenário, lê risco, lê contrato. E faz. Apenas faz. Sem anúncio, sem espetáculo. É no resultado que a mudança aparece… na forma como a gente responde, na velocidade com que encontra soluções, no cuidado que se tem com processos, com pessoas e com a própria saúde.

 

A vida me fez atravessar fronteiras, reorganizar pensamentos, abandonar certezas, desaprender vícios… e reaprender um jeito mais leve e mais lúcido de existir. Mudar me custou partes de mim, mas me devolveu outras que valem muito mais. Quem insiste em me enxergar pelo retrovisor perde a chance de conhecer a mulher que existe hoje. A que entende o peso da trajetória, a que sabe onde pisa, a que não precisa provar nada… porque construiu o suficiente para simplesmente ser.

 

E, no fim, fica uma verdade simples…

Quem não muda, repete. Quem muda, evolui.

E eu escolhi evoluir… todos os dias.

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 10/12/2025
Alterado em 10/12/2025
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