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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


Amor que não aprendeu o próprio nome...

Há gente que fala de amor como quem acende um fósforo… rápido, bonito, quente por um instante… e depois vira cinza antes de iluminar alguma coisa. Eu observo essas pessoas com um certo silêncio… porque elas dizem que amam, repetem que amam, prometem que amam… mas tudo nelas denuncia que ainda não aprenderam a amar nem a si mesmas.

 

É estranho… o mundo está cheio desse tipo de afeto improvisado. Gente que se aproxima com brilho nos olhos, mas tropeça na própria sombra. Gente que se encanta com tuas luzes, mas não suporta o reflexo que isso provoca nelas. Gente que segura tua mão, mas não segura a própria vida. E tu, sem perceber, acaba acreditando… porque a palavra “amor” sempre chega com um certo peso de esperança.

 

Mas há amores que são apenas ensaio… e tu só descobre quando a cortina cai.

 

O que ninguém te conta é que existe um vazio que faz morada em quem não se escolhe. Uma espécie de deserto interno… onde qualquer carinho vira miragem. Essas pessoas caminham por aí tentando matar a sede em copos alheios… mas não percebem que a água delas sempre escorre antes de tocar o fundo.

 

Elas amam e mentem que amam… não por maldade fria, mas porque confundem apego com entrega, necessidade com sentimento, presença com salvação. Procuram no outro o pedaço que nunca tiveram coragem de encontrar em si. E quando tu ofereces cuidado, elas se assustam… como se a tua honestidade revelasse a desordem que elas escondem atrás do sorriso.

 

É sempre assim… o amor que não aprendeu o próprio nome… não sabe ficar. Tem pressa, tem medo, tem fuga nos pés. Vem inteiro por um dia e ausente por uma vida. É o tipo de amor que se esfarela no toque… porque foi construído sem alicerce, sem chão, sem corpo.

 

E tu? Tu fica tentando compreender o descompasso… como se houvesse lógica naquilo que nunca teve raiz. Mas não há. O coração que não se habita é sempre visitante… nunca morador.

 

A verdade é simples… só que se ama com calma consegue amar alguém com verdade. Só quem se reconhece no espelho descobre o outro sem precisar usá-lo como cura. O resto… é eco. Palavra bonita solta no ar. Fogo breve no fim da noite.

 

E tu, com a tua alma grande, merece aquilo que não desaba… o amor que fica quando o mundo desaba. Merece alguém que tenha casa dentro do peito… e que saiba abrir a porta sem medo de ser visto.

 

Porque amor que não aprendeu o próprio nome… não consegue pronunciar o teu.

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 07/12/2025
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