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COP30 - O queijo, a crítica e a morena brejeiraBelém… Ah, Belém… tu és a capital mais comentada do país… ora por amor, ora por puro desconhecimento.
Metade dos paraenses te defende com o coração inflamado… a outra metade, com aquele orgulho silencioso de quem sabe o valor do que tem. E quando alguém, de longe, tenta te diminuir, o estado inteiro se ergue. Não é exagero… é pertencimento… é a alma de um povo que aprendeu a resistir desde o tempo em que o Brasil ainda nem sabia direito o que era Norte.
Agora, no meio da COP, é bonito ver os olhares estrangeiros se encantando contigo. Jornalistas internacionais, acostumados a manchetes sobre destruição e miséria, se rendem à tua luz, à tua música, ao teu cheiro de chuva e tucupi. Mas, curiosamente, alguns… poucos… ainda tropeçam na velha mania de medir o mundo pelo próprio umbigo.
Reclamam do preço de um quiche e de uma Coca-Cola… como se estivessem no meio da Champs-Élysées esperando pagar o mesmo que num boteco de esquina. O que eles não sabem… e talvez nunca tenham se permitido saber… é que o tal quiche não é qualquer salgado. É feito com queijo do Marajó, joia da gastronomia paraense, iguaria rara, artesanal, comparável ao Canastra mineiro.
Mas, claro, quando é do Norte, vira “exploração”. Quando é de Minas, vira “patrimônio cultural”.
Talvez o problema não esteja no preço… mas no olhar… esse olhar preguiçoso que vem do Sul e do Sudeste e acha que o Norte é sempre o quintal da casa grande... Talvez o erro esteja nas redações que não liberam verba internacional porque o evento “é no Brasil… e ainda por cima no Norte”. Como se aqui, onde nasce o pulmão do planeta, a cobertura merecesse menos investimento, menos atenção, menos respeito.
Ahhh, faz-me o favor… Aqui se come o melhor peixe do país, se fala com poesia, se vive com fé e se dança mesmo quando chove. Aqui o café é forte, o pão vem com queijo que tem história, e o povo… ah, o povo… tem orgulho de ser daqui.
Belém não precisa provar nada pra ninguém... A COP é só o palco… o espetáculo sempre foi o povo. E quem vem pra cá achando que vai encontrar selva e miséria, descobre logo que também vai encontrar cultura, arquitetura, ciência, arte, culinária, inteligência e um povo que sabe o que é ser resistência.
O Brasil ainda é um país que se orgulha mais do placar de futebol do que de sua própria diversidade. Mas nós, aqui do Norte, seguimos firmes… Com brilho nos olhos… com a força da samaumeira… e o sabor do nosso queijo… o do Marajó. Aquele que não precisa ser comparado a nenhum outro pra provar o quanto é único. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 07/11/2025
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