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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos

COP30 - Belém deu voz à Petro e Boric em voz alta..

Petros

Boric

 

Belém, de repente, virou o centro do mundo. Não pelos açaís, nem pelas chuvas que chegam sem pedir licença… mas porque, pela primeira vez em muito tempo, o Sul falou alto e o Norte teve que ouvir, mesmo ausente.

 

Lá estavam Gabriel Boric e Gustavo Petro, dois homens que entendem que governar um país latino não é só cuidar de fronteiras, mas de feridas. Boric, com seu jeito sereno e racional, lembrando que sustentabilidade não é discurso, é dever.

 

Petro, mais inflamado, lembrando que a desigualdade também polui. Ambos, em sintonia, fizeram o que há séculos esperavam que fizéssemos: falar em primeira pessoa, não em tradução simultânea.

 

A ausência de Trump e Milei foi o silêncio mais barulhento da COP30...Trump, fiel à sua megalomania climática, preferiu ignorar o planeta em combustão, afinal, é mais lucrativo negar o fogo do que apagar o incêndio.

Milei, o libertário que confunde liberdade com solidão política, achou mais confortável ficar em casa, fazendo discursos para si mesmo, cercado de teorias e vaidades.

 

Enquanto isso, a América Latina respirou junto... Do Caribe à Cordilheira, da floresta à favela, um sopro de dignidade percorreu o ar úmido de Belém. Não era sobre protocolos nem promessas. Era sobre presença.

Porque estar ali de pé, entre iguais já era, por si só, um ato político.

 

Os líderes do Norte estão acostumados a ditar o roteiro das COPs... Mas, desta vez, o roteiro mudou de sotaque. Boric falou em energia limpa, Petro falou em justiça climática, e o Brasil virou palco de uma conversa onde o subdesenvolvimento deixou de ser desculpa e virou argumento.

 

A América Latina, tantas vezes tratada como convidada tardia, chegou cedo e ocupou o centro... E talvez seja isso que incomode: o fato de que, quando o Sul fala com consciência, o Norte não tem mais o que responder, só escutar.

 

Belém virou símbolo... Não de exotismo, mas de potência. E quem não veio, talvez um dia perceba que a história continuou sem eles.

Porque o futuro, este que estamos tentando salvar, já aprendeu a falar espanhol, português e guarani...

 

E, pela primeira vez, não pediu tradução.

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 06/11/2025
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