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COP30 - Jornalismo de bandeja e copo de plástico.
É curioso ver jornalistas que já cobriram guerras, eleições e festivais em meio mundo, agora espantados com o preço de um lanche na COP30. Parece que o problema não é o custo da sustentabilidade, mas o da consciência. Querem um evento mundial, mas com conta de padaria.
Todos sabem, ou deveriam saber, que eventos globais são caros em qualquer latitude. O café em Davos não vem com desconto suíço. O sanduíche em Dubai não aceita cupom. O sushi de Tóquio não dá troco em real.
Mas quando o cenário é o Norte do Brasil, o espanto ganha sotaque: “como assim tão caro aqui?” É a velha mania de confundir o mapa com o valor das pessoas que vivem nele.
O Norte, de novo, precisa se justificar. Precisa explicar por que o açaí não é suco, por que a distância encarece tudo, por que a logística é selvagem, e não por incompetência, mas por geografia. Quem veio pra cá cobrir o planeta, esqueceu de cobrir o básico: o próprio preconceito.
A COP não é feira gastronômica, é discussão de futuro. Se o repórter quer comer barato, que desça do palco e vá à esquina, peça um x-salada no ifood e volte pra escrever sobre o que importa: o colapso climático, o impacto humano, a política que molda o amanhã.
Porque o mundo não vai mudar enquanto a manchete for o preço do lanche. E o jornalismo que esquece o essencial, acaba servindo de bandeja frio, raso, e sem propósito.
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 06/11/2025
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