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Da Exposibram na Bahia para COP30 em Belém-Escrevo do aeroporto... o cheiro de café se mistura ao ferro que ainda ficou nas mãos... a Exposibram terminou... mas dentro de mim parece que algo começou...
A Bahia recebeu o setor mineral com um calor que não vem só do sol... vem da alma do lugar... trocar o frio das serras mineiras pelo vento do mar foi mais do que mudança de cenário... foi um lembrete... de que inovação também nasce de onde há gente... mistura... e coragem de fazer diferente...
Os corredores respiravam tecnologia... robôs mapeando estruturas... sensores vibrando ao menor sinal de falha... softwares enxugando processos antes que o erro respirasse... tudo tão técnico e, ao mesmo tempo, tão humano... a robótica não veio pra substituir... veio pra proteger... pra cuidar... pra lembrar que eficiência sem vida é apenas máquina...
Nos painéis de ESG, as falas vinham cheias de propósito... não era discurso ensaiado... era gente falando de gente... falaram de comunidade... de confiança... de licença social como quem entende que ela não se compra... se conquista... e ali, no meio de engenheiros e gestores, eu senti esperança...
Mas o momento mais bonito... foi o das terras raras... o forno em fusão... o brilho do neodímio... o som do disprósio sendo moldado... e aquela sensação de que dentro da engenharia ainda cabe poesia... produzir sem ferir... avançar sem arrancar... inovar sem apagar o chão de onde viemos...
Quando o evento terminou, fiquei ali parada... olhando o mar... e pensei que a Bahia tem muito a ensinar à mineração... ela não se apressa... mas nunca deixa de pulsar...
Agora escrevo já em Belém... minha menina morena... e a cidade está linda... viva... respirando clima e cultura... as ruas mais limpas... os ônibus andando no tempo certo... os casarões coloridos voltando a sorrir... a COP30 transformou a cidade... e, de algum jeito, transformou também quem vive nela...
Belém aprendeu a se ver... e talvez esse seja o maior legado de um evento... quando um lugar se reconhece... tudo muda...
Entre Salvador e Belém... entre ligas e raízes... entendo melhor quem sou... a engenharia me ensinou a planejar... a mineração me ensinou a respeitar... e a comunidade me ensinou a sentir...
O progresso não está na pressa... está em ouvir a terra... está em sentir o coração de quem trabalha sobre ela...
Fecho o caderno devagar... e deixo o som das turbinas misturar-se com o som da minha própria respiração... porque, no fundo, é tudo isso... um movimento contínuo entre o que somos... o que fazemos... e o que ainda sonhamos construir... Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 02/11/2025
Alterado em 02/11/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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