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COP30 - E o Brasil que só ama o próprio umbigo...
Tem gente que ainda acha que pode entender Belém lendo manchete de portal de sua exclusivo agrado... É o mesmo tipo de gente que nunca pisou no barro da periferia e se acha no direito de falar sobre pobreza. Que nunca sentiu o cheiro da chuva batendo na terra quente do Norte, mas se sente especialista em Amazônia.
A COP30 virou assunto nacional, e de repente todo mundo virou ambientalista de sofá.
Uns falam em superfaturamento, outros em desmatamento, e muitos só repetem o que leem nos sites que confirmam suas certezas de sempre de direita, de esquerda, de centrão, de lado nenhum. Poucos vêm aqui, olham, escutam, entendem o que significa abrir uma rua no meio da mata pra o mundo conseguir chegar até Belém.
Não é simples. Sim, há erros. Há contratos malfeitos, obras correndo contra o tempo e escolhas duvidosas em nome do “progresso”. Mas também há gente boa, invisível, suando nas obras, acreditando que talvez, só talvez, algo mude. Que o olhar internacional sobre o Norte traga, pela primeira vez, algum respeito.
Mas o brasileiro médio não gosta de ver outro brasileiro crescer... Ama o futebol, o carnaval, o “Brasilzão”, mas detesta se ver espelhado no que chama de “atraso”.
Se a COP fosse no Rio, seria orgulho nacional. Em São Paulo, seria case de sucesso. Em Curitiba, seria eficiência nórdica. Mas como é Belém... pronto: vira piada, vira escândalo, vira exagero.
O Brasil é um país que se alimenta de diminuir o próprio país. E talvez por isso a gente ande cansado. Cansado de ver quem fala sem conhecer, quem critica sem sentir, quem opina sem amar.
Porque amar o país é ficar... É construir mesmo no caos... É defender sem idolatrar... É enxergar que a Amazônia não é só floresta, é cidade, é suor, é gente.
E é aqui, no coração quente e molhado de Belém, que o mundo vai olhar pro Brasil... e ver que, apesar de tudo, a gente ainda está tentando evoluir.
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 01/11/2025
Alterado em 01/11/2025 Comentários
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