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fé em carne viva...O sol rasgou meu peito como lâmina morna o sangue lembrou que ainda corre o corpo acordou da dormência da dor
as sombras cansadas escorreram dos meus ombros e por um segundo o gosto da esperança voltou doce e curto antes que o medo viesse congelar de novo
não pedi salvação mas o vento soprou levanta… tu ainda tá aqui
viver às vezes é sobreviver em silêncio é arrastar o corpo por dias ocos ouvir o coração bater por teimosia
mas ali, entre o calor e o vazio a alma começou a se lembrar a pele do fogo o coração do trovão o espírito do grito que não morreu
há um deus que não teme o cheiro da morte que vê ossos e enxerga estrutura que sopra vida na poeira e chama de milagre o que o mundo chama de resto
ele me mandou anjos de carne e osso com mãos sujas de trabalho com olhos cansados mas bons chegaram com café, com escuta, com silêncio me lembrando que o amor ainda existe nas bordas
ele veio em amigo que não fugiu do fogo em estranho que virou abrigo em cachorro que encostou na ferida em lágrima que não me afogou mas fez brotar o pouco que restava
já fui engolida por abusos por silêncios que gritavam por perdas que cavaram dentro de mim mas ainda tô aqui remendada, bruta, viva
a fé costurada na espinha não bonita, mas firme cicatriz que brilha quando o sol insiste
ergui o rosto deixei a luz queimar sem pedir licença e ouvi o sol dizer a história ainda se escreve a alegria ainda sabe o caminho a paz já aprendeu teu nome
tô aqui o calor atravessando as rachaduras do que tentaram destruir e eu creio não porque seja simples mas porque essa chama que mora em mim não morre nem sob cinza nem sob vento nem sob o peso do mundo Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 28/10/2025
Alterado em 02/11/2025 Copyright © 2025. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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