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Anatomia de uma raiva silenciosa
Há um grito preso no fundo da garganta... não é dor, é indignação empedrada. Não é lágrima, é ferrugem da alma que tentou ser justa num mundo que lucra com o engano.
Cansada... de gente que mente olhando nos olhos, de sorrisos pagos por vaidade, de promessas que apodrecem antes de nascer.
Quis acreditar... que a bondade ainda respirava em algum corpo lúcido, que o amor ainda era verbo de entrega, que a palavra “verdade” ainda servia pra alguma coisa.
Mas não. Descobri que a verdade sangra sozinha. Descobri que o caráter não tem eco. E que o silêncio... é o único idioma dos que não se vendem.
Há uma fúria quieta em mim, não dessas que gritam mas das que queimam devagar, como brasa que se recusa a morrer no frio da covardia.
Queria devolver o mundo ao pó. Apagar o rosto dos falsos, rasgar as máscaras com as próprias mãos, arrancar dos dicionários todas as palavras que perderam sentido.
E depois disso... talvez restasse o nada. Mas ao menos seria um nada limpo. Um nada verdadeiro. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 27/10/2025
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