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quarenta anos...não é pouco. é uma vida inteira dividida em pedaços bicicleta, boneca, caderno, sonho, confissão. a gente cresceu junto, mesmo quando a vida tomou caminhos diferentes. eu fui pro lado das planilhas, ela ficou do lado dos bolos, dos vestidos, da doçura que sempre teve no olhar.
a vida dela era rotina e afeto o café pras crianças, o beijo no portão, o “bom dia” no grupo da família. tudo tão igual, tão cheio de vida... até que um dia o corpo resolveu falar o que o coração já sabia.
a câmera mostrou o que ninguém queria ver o corpo tentando ficar, o tempo dizendo não. quatro minutos entre o chão e o silêncio. e depois, a calma. as mãos no peito, o rosto sereno.
a morte não foi cruel. foi discreta. respeitosa até. mas pra quem ficou, não há respeito que cure o vazio.
quarenta anos de amizade não cabem em flores, nem em despedidas. ela era daquelas pessoas que deixavam o mundo mais leve só por existir. e hoje, mesmo sem entender nada, eu agradeço por ter vivido tudo com ela porque tem gente que é presente… e quando vai embora, continua sendo. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 24/10/2025
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