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A Velha, o Crânio e o Pássaro - (Psicoestrutural Batailliano)
a velha ri. não da vida, mas do absurdo de ainda estar viva.
seu rosto é mapa de tempo, sua mão é lembrança de toque que já não existe.
o crânio, ao lado, sorri sem carne, a pureza da morte é sempre mais elegante que a tentativa da vida.
há uma gaiola… aberta. a liberdade, ironicamente, repousa sobre a cabeça do que já não sente.
o pássaro traz o anel, como se a fidelidade voltasse quando o amor já acabou. como se o tempo devolvesse o que o desejo não soube guardar.
ela ri. mas o riso é nervo exposto. é a consciência de quem percebeu tarde demais que a lucidez é uma forma de tortura.
Bataille entenderia, o sagrado aqui não é Deus, é o riso diante da finitude. é o prazer de ainda sentir, mesmo sabendo que tudo é pó.
a morte observa, paciente, como quem já conhece o final da história e ainda assim se encanta com o teatro. Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 16/10/2025
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