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🖤🩸 A Trilogia do Cubo(Experimental Psicoestrutural Batailliano)
I. O Cubo e a Carne Conceito: A mente tenta conter o corpo. A forma é a prisão do sentir. O cubo simboliza o pensamento rígido, a carne, o erro necessário para existir.
Texto: há um som preso no ar um eco metálico que vibra entre as linhas de um cubo
o rosto desfocado não sabe onde termina a mente e começa o corpo
as formas se confundem, a carne respira geometria a razão transpira medo
o cubo pensa mede controla
mas o corpo... o corpo deseja
sua pele molha a estrutura sua pulsação rompe o cálculo seu calor enferruja o conceito
as linhas se partem a forma se cansa o cubo se abre
e o corpo respira pela fenda
Síntese: O corpo desafia o cubo. O sentir vence o controle.
II. O Gesto e o Vazio Conceito: Após o colapso da forma, resta o impulso a tentativa de tocar o mundo. A mão atravessa o limite, mas encontra o silêncio. A ausência se torna presença.
Texto a mão atravessa o ar sem saber se toca ou fere
as linhas tremem como se o limite tivesse medo do toque
a cadeira espera vazia de corpo e cheia de ausência
o cubo sustenta o silêncio a carne tenta atravessar
há algo entre o gesto e o nada um sopro de vida que insiste
a geometria observa sem compreender o calor do humano
e o erro se repete manso, inevitável, vivo
Síntese: A mão atravessa o limite. O cubo ainda resiste. No erro do toque, o silêncio respira.
III. O Rosto e o Reflexo Conceito: O corpo já não se opõe à estrutura, ele se funde a ela. A mente absorve a carne. O rosto torna-se espelho e o reflexo, identidade. É o estágio da dissolução: a consciência se multiplica até não se reconhecer.
Texto: o rosto se dobra sobre si mesmo como se a pele quisesse lembrar do que foi alma
há olhos que olham de dentro e outros que fingem compreender o reflexo
a luz corta em ângulos — cada feixe é um pensamento tentando ser carne
a forma já não existe há apenas ecos do que a mente acreditou ver
o eu se multiplica até desaparecer
Síntese: A mente tornou-se espelho. O corpo, fragmento. A luz — única prisão que ainda respira.
🩶 Conceito final da obra
A Trilogia do Cubo é o percurso da consciência aprisionada: no primeiro ato, o corpo luta; no segundo, o gesto busca; no terceiro, o eu se dissolve.
A carne foi o começo. A luz, o fim. E entre ambas, o humano tentando existir.
Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 15/10/2025
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