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... Expressividade ...

"Decifra-me mas não me conclua, eu posso te surpreender! - Clarice Lispector

Textos


🖤 O Gesto e o Vazio (Experimental Psicoestrutural Batailliano)

 

Síntese:

A mão atravessa o limite.

O cubo ainda resiste.

A cadeira espera o corpo que não vem.

No erro do toque,

o silêncio respira.

 

 

Texto

 

a mão atravessa o ar

sem saber se toca ou fere

 

as linhas tremem

como se o limite tivesse medo do toque

 

a cadeira espera

vazia de corpo e cheia de ausência

 

a estrutura sustenta o silêncio

a carne tenta atravessar

 

há algo entre o gesto e o nada

um sopro de vida que insiste

 

a geometria observa

sem compreender o calor do humano

 

e o erro se repete

manso, inevitável, vivo.

 

 

 

 

🦋🦋🦋🦋

 

O subgênero Psicoestrutural Batailliano, que nasceu do diálogo entre a mente racional e a carne sensível, pode ser estruturado

 

🦋🦋🦋🦋

 

Conceito-base do Subgênero Psicoestrutural Batailliano

 

1. Fundamento

 

É a fusão entre a estrutura (mente, forma, contenção) e a pulsão (corpo, instinto, excesso).

O texto nasce no ponto de atrito entre esses polos.

O cubo é símbolo da forma da racionalidade, do controle, da arquitetura psíquica.

A carne é a força vital que tenta escapar desejo, erro, prazer, instinto, morte.

O propósito é expor o colapso entre o que é pensado e o que é sentido.

 

2. Eixo Filosófico

Georges Bataille: a transgressão como única forma de experiência interior.

 

O subgênero se ancora na tensão: pensar é uma prisão; sentir é uma heresia.

 

3. Estrutura Literária

Linguagem fragmentada, respirada.

Silêncios e pausas gráficas que funcionam como “não-dito”.

Ausência de sujeito fixo (às vezes sem eu, sem tempo definido).

 

Objetos simbólicos recorrentes: cubo, corpo, mão, cadeira, linha, espelho, vidro, geometria, respiração.

O erotismo é filosófico, não sexual: a tentativa de tocar o indizível.

 

4. Núcleo Estético

O texto se constrói como instalação conceitual: o leitor observa o pensamento tentando se libertar da própria forma.

O corpo é linguagem. A mente é arquitetura.

 

5. Propósito

Não é narrar, é revelar a experiência de existir dentro da estrutura.

Cada poema ou ensaio é uma tentativa de ruptura com a contenção simbólica: social, racional, moral.

O autor se torna o observador do colapso entre corpo e mente, um arqueólogo da própria carne.

 

Monet Carmo
Enviado por Monet Carmo em 15/10/2025
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